terça-feira, agosto 27, 2013

A Morte do Caixeiro Viajante

Título Original: Death of a Salesman
Direção: Volker Schlôndorff
Gênero: Drama
Tempo de duração: 136 minutos
Ano de lançamento: 1985
Sinopse: Willy Loman (Dustin Hoffman) passou toda sua vida acreditando que ele e sua família atingiriam o poder, seriam ricos e muito felizes. Porém, lutando dia a dia como um caixeiro viajante, ele está prestes a perder seu emprego. Willy não consegue mais pagar suas contas e começa a perder o senso de realidade derivando por coisas de seu passado e mergulhando em uma crise profunda e desesperadora. Enquanto isso, toda sua família, sua esposa Linda e seus filhos Biff e Happy, tentam lutar contra sua autodestruição e os fantasmas de seu passado. 

terça-feira, agosto 20, 2013

As Bagagens

Jesus nos convidou a deixar todas as bagagens que carregamos, em suas mãos. Não consigo perdoar uma pessoa que me ofendeu. Conte isso a Deus, entregue a sua bagagem. Meu temperamento é explosivo e não consigo mudar. Conte isso a Deus, entregue a sua bagagem. Não consigo domar a minha língua. Conte isso a Deus, entregue a sua bagagem. Não consigo controlar os meus impulsos sexuais. Conte isso a Deus, entregue a sua bagagem.
Há inúmeras bagagens, dos mais variados formatos, tamanhos e cores. Você se surpreenderá com a forma de atuação divina. Verifique constantemente se o peso daquela bagagem já não se faz sentir. Quando notar que a vida está mais leve, pode ser que se imagine portador de uma singular maturidade espiritual, que já está bastante avançado na estrada cristã e balance a cabeça quando se deparar com irmãos que não conseguem abandonar as bagagens.
Nesse momento, está na hora de contar a Deus sobre o seu orgulho e entregar mais uma bagagem.

segunda-feira, agosto 12, 2013

A Assinatura do Artista

Estremeço quando medito na grandeza do universo, ínfima amostra da grandeza de Deus. Nuvens patinam no céu, estrelas permanecem penduradas no firmamento, linhas abstratas voam nas asas das borboletas, cores faiscantes emolduram as penas dos pássaros, peixes iluminados deslizam pelos oceanos.
A beleza, criatividade e alegria de Deus esparramam-se pela natureza aguardando que o distraído ser humano possa observá-la mais de perto. Mas o entediado não tem mais tempo para as coisas comuns. Vive tão absorto nos afazeres da vida que não consegue vislumbrar as sombras da Realidade maior, a assinatura do Artista em sua obra.

Muitas pessoas se alimentam sem prestar atenção em cada sabor especifico; as músicas mais “tocadas” carregam mensagens niilistas, sexualidade e a felicidade a qualquer preço; não é a toa que os livros mais vendidos são os de autoajuda. Uma subnutrição mental, espiritual e visual paira sobre a cabeça do homem pós-moderno. As vozes do culto ao eu reverberam nas manifestações artísticas; são vozes estridentes até mesmo dentro das igrejas. 

É uma questão de observar, alertou Jesus. Ele também falou sobre o olho – o olho é o que espalha a luz pelo corpo. Quando os nossos olhos fitam as coisas erradas, a escuridão vem fazer morada em nosso ser.  Quando os nossos olhos estão afiados, somos inundados pela luz – passamos a prestar atenção nos detalhes e belezas que nos cercam.

Isso me faz lembrar do filme “Além das Nuvens” do diretor Michelangelo Antonioni. Num bar em Paris durante o dia, uma jovem se aproxima de um homem de meia-idade e diz que tinha lido uma coisa fantástica numa revista e precisava falar disso com alguém. Era o seguinte: no México, cientistas contrataram carregadores para levá-los ao cume da montanha de uma cidade inca. A certa altura, os carregadores não quiseram mais prosseguir. Os cientistas, irritados, não sabiam mais como fazê-los seguir adiante. Não entendiam os motivos de uma parada tão prolongada.


Após algumas horas, os carregadores recomeçaram a andar e, finalmente, o chefe deles deu uma explicação: eles tinham corrido muito e estavam esperando suas almas chegarem. A moça que contou esta história comentou: “É fantástico, porque também corremos atrás de nossas coisas e perdemos nossas almas. Devíamos esperar”.

Realmente, corremos atrás de tantas coisas que nossas almas não conseguem enxergar a estonteante beleza do universo.. 

(Trecho do livro "Um Grito de Ausência" © de Samuel Rezende)

segunda-feira, agosto 05, 2013

A Sopa Populista

      Temo que estejamos vendendo o Evangelho por um prato de sopa populista. Jesus morreu porque agiu como o Filho de Deus encarnado, falou como o Filho de Deus encarnado e não negou a acusação de que o mundo o odiava por ser o Filho de Deus encarnado.
      Vendemos o Evangelho quando anunciamos o que agrada a multidão: o cristo revolucionário, o cristo da prosperidade, o cristo que não exige compromissos, o cristo que não se importa com nada conquanto o indivíduo esteja feliz. O cristo da cultura é insípido, conivente, bonachão.
            Onde está o Cristo que vira a mesa dos vendilhões do templo, o Cristo que repudia a mera opinião a seu respeito, o Cristo que alerta dizendo que se “alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”.
          Muitas pessoas aceitam o cristo que lhes apetece, o cristo de clichês humanistas, aparando as garras do Leão de Judá. Entretanto, esse cristo não é o Cristo do Evangelho. Esse mero cristo lhe conduzirá a um mero céu, mas não a Eternidade.
            Sinto muito, mas se o Cristo que cremos e anunciamos não nos torna confrontadores da cultura dominante e, por consequência, uma persona non grata, há que se analisar se este é o Cristo bíblico: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia... Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa”.
         Não estou defendendo a imagem de um cristão soturno balançando o sino de alerta contra a decadência cultural. Mas também não podemos nos contentar com o mero crítico da igreja e o cristão que recende legalismo; o filósofo que concluiu que todos os problemas se resumem a epistemologia e o cristão liberal cujo evangelho se resume a tolerância e diálogo; o cristão pacificador que tenta solucionar todos os conflitos e o revisionista tentando adaptar o Evangelho aos padrões de uma sociedade em decomposição.
        Quem foi que disse que seguir a Cristo seria algo fácil? Se uma pessoa imagina que o cristianismo não passa de doce de leite ou coalhada com mel, simplesmente não entendeu o que é cristianismo. Jesus aconselhou: “Sede simples como as pombas, e prudentes como as serpentes”. Acontece que ao mesmo tempo em que há uma dificuldade explicita também há uma facilidade implícita: o próprio Deus está ao nosso lado nos sustentando no caminho.
           Devemos buscar o ponto de equilíbrio notando que há muita coisa para se corrigir na igreja, mas também há muito a se aprender nos relacionamentos com outros cristãos; que a cultura é anticristã e não devemos nos acomodar a ela, mas que podemos extrair pedras preciosas no meio do cascalho; que há muitos motivos para se lamentar, mas também há inúmeros momentos para se desfrutar a beleza do mundo.
            O escândalo do cristianismo é que existe apenas um caminho. A boa notícia é que, apesar de toda a nossa teimosia, egoísmo e pecado, ainda há um caminho.

(Trecho do livro “Um Grito de Ausência” © de Samuel Rezende)