domingo, agosto 31, 2014

No Coração das Coisas

Sabemos que o mundo contém muitas coisas que não podemos enxergar a olho nu - células, átomos, moléculas, quarks. Mas essas coisas podem ser medidas através dos rastros que deixam no caminho.
            O cristão crê na realidade intangível. Ela não pode ser medida com os instrumentos que temos à disposição. Mas pode ser medida através dos rastros que deixa no caminho. A pergunta correta não é: “As ferramentas que possuímos podem demonstrar a realidade de Deus?”. Mas sim: “Existe mais do que nós podemos ver?”.
            A Bíblia sempre ensinou que no coração das coisas não há um mapa orientando a montagem de um quebra-cabeça; mas o mistério. Não levantamos as mãos e confessamos a ignorância, somos cobrados para adicionar o nosso limitado conhecimento à sabedoria coletiva. A aceitação do mistério é um ato não de resignação, mas de humildade.
            As perguntas são insubstanciais. Você não pode ver, tocar ou medir uma pergunta. Isso não acontece apenas com as perguntas; as nossas vidas são construídas sobre o intangível. Neste exato momento você está lendo marcas/traços/símbolos em uma página. Elas não invadem, fisicamente, o seu cérebro. No entanto, na interação entre os borrões de tinta na página e o seu cérebro, o entendimento é transmitido. O entendimento é tangível? O que mudou entre a página e o seu cérebro? Quanto de nossas vidas acontece nos indescritíveis espaços deste mundo? Quanto é transmitido no silêncio entre as notas de uma música?
            Quando eu aprendo algo novo, uma varredura pode detectar alterações fisiológicas no cérebro, mas a mudança não é detectável. Quando eu sinto emoção, você pode mapear as correntes elétricas no meu cérebro, mas o mapeamento pode apresentar o sentimento? Veja a história da tua vida. Onde você nasceu, onde você cresceu, como foi a sua infância, quais as pessoas mais importantes que você conheceu durante a sua vida? Você criará uma imagem de si mesmo para contar a sua história.
            Mas, onde essa história existe? Ela tem uma existência física ou se limita as sinapses dos neurônios em seu cérebro? A sua história existia antes que eu lhe perguntasse?
            Falamos de coisas que existem “entre” as pessoas. Existe um “entre”? Se existir, não habita no universo físico. O mundo é, por assim dizer, cheio de entidades não físicas que confundem o nosso entendimento. Quando nos acostumamos a reconhecer o que não podemos ver, a noção sobre Deus parece menos estranha. Coisas não físicas são reais. As nossas vidas gravitam sobre coisas reais que são não materiais: ideias, emoções, beleza, imaginação, memórias, relacionamentos, intuições, alegrias, tristezas, sofrimento, amor e fé.
            Acreditar apenas no que vemos é submeter-se a uma cegueira voluntária. Seguir esse princípio limitaria a tal ponto a convivência com as demais pessoas que, poderíamos dizer, nos tornaria invisíveis na esfera existencial.
      Se reconhecermos as limitações do nosso conhecimento, o ateísmo é a confissão de uma ilusão indefensável.
            O cristão se rende a evidência: há muito mais do que podemos ver, há uma realidade não física, uma realidade maior. Se nós, criaturas com corpos que se movimentam em um mundo físico, somos tão dependentes de coisas que não podemos ver, por que os ateus consideram que Deus é uma ilusão improvável?
           Na verdade a fé retira as escamas dos olhos espirituais para que possamos vislumbrar as mãos de Deus manejando o dia a dia:O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos” (Pv. 16:9).

(Trecho extraído do livro Relíquias de Uma Terra Estranha © de Samuel Rezende - previsão de lançamento primeiro semestre de 2015)

quarta-feira, abril 09, 2014

Aos Amigos de Longa Data do Blog - Os Livros Estão à Porta


Quando eu era um bebê, fiquei doente, estive à beira da morte; e em uma pequena fazenda rodeada por montanhas, os meus pais fizeram um voto a Deus: se Ele preservasse a minha vida, eu seria pastor.

Hoje, penso em como Deus recebeu essa oração. Nunca me senti vocacionado para o sacerdócio. Sendo uma pessoa extremamente tímida, teria enorme dificuldade para criar laços com os paroquianos. Mal consigo criar vínculos com os vizinhos.

Mas, em muitos momentos da minha vida, senti um anzol de pesca enfiado em minha boca. O Pescador celestial puxando-me para perto de si.

Talvez daí tenha surgido o escritor de livros voltados para o universo cristão.

Deus aceitará esse remanejamento? De pastor para escritor? Eu oro pedindo que sim, confiando que a alteração faça parte do que Ele projetou para a minha vida. 
Pela primeira vez, os pensamentos que se tornaram frases anotadas, reviradas e refinadas, estão livres.

Podem gerar debates, provocar reflexões, ser um instrumento nas mãos de Deus. É uma sensação estranha e maravilhosa.

Dentro de 30 a 40 dias os livros estarão disponíveis. Informarei, como e onde adquiri-los.
Na Estação Noturna eu fui alimentado por diversos amigos. Vocês não imaginam a importância de cada
comentário, palavras de incentivo e apoio, nas quais me escorei durante todo esse tempo. Muitos blogs deixaram de existir, muitos amigos não sei por onde andam. Meus agradecimentos a Vilma, Caio, Edson, Vitor e Marlene. Eles representam todos vocês que caminharam e caminham por esta Estação.

A página dos livros no Facebook, onde serão disponibilizados alguns fragmentos das obras:
https://www.facebook.com/pages/Livros-de-Samuel-Rezende/1390903567796874?ref=hl

segunda-feira, março 31, 2014

O Envelhecimento do Mundo

"Certa feita Agostinho disse que não deveríamos ficar surpresos ao presenciar um mundo cambaleante, porque o mundo estava ficando velho. O mundo pode ser comparado a um homem que nasce, cresce, envelhece e morre. A velhice carrega tremores, tosse, perda da visão, surdez, cansaço. Mas não há motivos para temer, Cristo surgiu trazendo a eterna juventude, tanto para nós, individualmente, como para o mundo" ("Um Grito de Ausência" © de Samuel Rezende)

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

No Palco

Refletindo no interessante post da Vilma: "Este mundo em que vivemos, não é o lugar dos vivos. Aqui, é o lugar dos que morrem. Nós começamos a morrer a partir do momento em que nascemos e as nossas vidas são um caminhar em direcção à morte. Mas os que crêem em Jesus Cristo, sabem que quando vem a morte, entramos no mundo dos vivos! Não estamos a caminho da nossa morte. Estamos a caminho da vida!"


Imaginemos a vida como o palco de um teatro, imagem incansavelmente usada por dramaturgos.

Ao nascer a cortina se abre ou se fecha? Ao morrer a cortina se fecha ou se abre?

Preste atenção, a Vilma aponta a resposta.

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Vida em Ruínas

É da própria natureza do pecado escravizar os que flertam com ele. Peque uma vez, e ainda conseguirá olhar de fora da janela e dizer: não entrarei aí novamente. Mas continue a pecar e se sentirá “em casa”. Não conseguirá mais olhar de fora para dentro. A disposição da alma, uma vez alterada, enxergará aquela casa em ruínas como um lar confortável. Questionado sobre a chuva dirá que é hora do banho; sobre a ausência de teto dirá que isso permite a visão de nuvens, estrelas, sol e lua; sobre a arquitetura dirá que reflete o relativismo pós-moderno nas paredes aos pedaços; a ausência de móveis dirá que representa a amplidão do espaço que reverbera em sua mente e assim, com um amontoado de desculpas, irá se auto destruindo e, infelizmente, atingindo todos os que estão à sua volta. 
(© Samuel Rezende, Relíquias de Uma Terra Estranha)

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

A Corrupção do Espírito Humano


Há alguns dias li um artigo sobre as mortes do ator David Carradine e do vocalista Michael Hutchence da banda INXXS, ambos, aparentemente, vítimas da “asfixia auto erótica” que, segundo o psiquiatra Afonso de Albuquerque “Trata-se de uma situação rara e que consiste na indução, pelo próprio, de um estado de asfixia cerebral enquanto se masturba... através da constrição do pescoço por um cinto, ou um laço, ou por suspensão de uma árvore ... O fluxo sanguíneo cerebral é restringido parcialmente, resultando em falta de oxigênio, o que diminui a inibição cortical normal. Isso resulta num orgasmo mais intenso, mas também num risco de morte acidental, se o praticante desmaia antes de poder alargar a constrição do laço”.

A corrupção do espírito humano chega a tal ponto que leva a arriscar a própria vida buscando aumentar a intensidade do orgasmo. Um corpo estremecendo ao esvaziar a alma no pó.

domingo, janeiro 26, 2014

Tudo Está Perdido?

         Após mergulhar na imensidão do espaço e sair deslumbrado da sessão do filme Gravidade (Gravity), foi a vez de experimentar a vastidão do mar no filme “Al Is Lost". Ambos, espaço e mar são insondáveis. Ambos mexem profundamente com o ser humano. Por que um filme com apenas um ator (Robert Redford) e pouquíssimas palavras consegue penetrar no recôndito do nosso coração? A mania de fazer associações levou-me ao solitário Santiago do romance “O Velho e o Mar” de Ernest Hemingway, mas enquanto o velho do livro destila pensamentos em doses consideráveis, o personagem do filme é silêncio e ação.
            Aquele homem solitário, sem vida pregressa, lutando para sobreviver no meio de uma tempestade em alto mar, no veleiro avariado ou na fragilidade do bote, merece uma reflexão profunda.
Por que aquele homem sem história - não sabemos quem é, quais são os seus familiares, a sua história de vida - está naquele veleiro? Aquele personagem sou eu, é você. Aquele homem nos representa.  Do conforto do veleiro a tempestade em alto mar. A nossa vida não é assim? Por quê? O que devo fazer nessas horas? A arrepiante cena final responde a as indagações.

Após assistir, pela segunda vez, o tenso All is Lost (Tudo está perdido), filme com final aberto a diversas interpretações – pessimista, otimista (materialista) e espiritual (a minha esposa foi a que mergulhou mais fundo na interpretação espiritual), lembrei-me do conto do Stephen Crane, de um livro que “desapareceu” após emprestá-lo. Ainda bem que hoje temos o Google. 
Crane, ele próprio vítima de um naufrágio, escreve aquela que poderia ser a abertura dos filmes que mostram a fúria da natureza contra as embarcações: “Uma particular desvantagem do mar reside no fato de, após ultrapassar com sucesso uma onda, descobrirmos que atrás dela vem uma outra tão importante e tão nervosamente ansiosa por provocar inundações em barcos... Uma noite passada no mar num barco aberto é uma longa noite. Quando a escuridão por fim se instalou, o brilho da luz, erguendo-se ao sul do mar, mudou para um intenso dourado. No horizonte norte surgiu uma nova luz, um lampejo azulado ao fundo das águas. Estas duas luzes eram a mobília do mundo. De resto, nada mais que ondas”.
Num tom irônico, certa vez Crane observou: “Um homem disse ao universo: ‘Senhor, eu existo!’. ‘Todavia’, respondeu o universo, ‘o fato não criou em mim um sentimento de obrigação’".
Contrariando o angustiado Crane, Jesus disse: “Não se vendem cinco pardais por duas moedinhas? Contudo, nenhum deles é esquecido por Deus. Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais!" (Lc. 12:6,7). 
Tudo está perdido? O lembrete de Jesus faz toda a diferença.

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Na Lama ou Na Maravilha dos Nossos Dias?

Uma lenda rabínica fala de dois homens que experimentaram a divisão do mar vermelho, mas jamais olhavam ao redor. Acima havia uma magnífica coluna de fogo protegendo-os do exército egípcio. De cada lado havia uma resistente parede de água. Mas estes dois homens, Rubens e Simão, não conseguiam notar os milagres que aconteciam ao redor, porque estavam olhando para os seus pés se arrastando no meio da lama, e conversavam entre si:
- Eu não posso acreditar que estão nos forçando a caminhar neste lamaçal.
- É como a lama que usamos para fazer tijolos para o faraó!
- Sim, é. Durante toda a nossa vida estivemos envolvidos com esta terrível lama.
- Escravidão e liberdade é a mesma coisa, não é? Nada além de lama, como podemos ver.
         Às vezes me flagro reclamando da lama em vez de desfrutar das maravilhas que estão ao meu redor.

quarta-feira, janeiro 08, 2014

A Religião É Uma Muleta?

            Os céticos costumam dizer que a religião é uma muleta. Ora, se a religião é uma muleta, qualquer coisa serve como muleta, então o problema não reside na religião, mas no indivíduo.
            O mais estranho é o indivíduo, sofredor por excelência, buscar consolo em algo que exige mais do que é capaz de suportar, levando o escritor Tolstói ao desespero: “Não julguem os santos ideais de Deus pela minha incapacidade de alcançá-los. Não julguem Cristo por aqueles de nós que imperfeitamente usam o seu nome... Se conheço o caminho para casa e estou andando por ele como um bêbado, ele não deixa de ser o caminho certo apenas porque estou cambaleando de um lado para outro! Se não é o caminho certo, então me mostre outro caminho; mas se cambaleio e perco o caminho, você deve ajudar-me, você deve manter-me no caminho verdadeiro, exatamente como estou pronto a apoiar você. Não me desencaminhe, não se alegre porque me perdi, não grite de alegria: ‘Vejam-no! Ele disse que está indo para casa, mas ali está ele rastejando em um atoleiro’. Não, não se regozije com o meu erro, mas me dê a sua ajuda e o seu apoio”.
         A religião cristã transfere ao indivíduo a responsabilidade por seus atos e consequências. Nesse caso, o melhor consolo para o indivíduo seriam as respostas psicológicas, sociológicas ou científicas que costumam transferir a “outros” a responsabilidade individual. A crença no gene egoísta é consolo para fracos. Transfere-se para os genes a responsabilidade que deveria ser do indivíduo.
            Mas, consideremos que a birra dos céticos encontre escoadouro: a religião é uma muleta. A muleta de Adão. A raça humana caminha com um coxear agonizante. Por isso, cada um arrasta o seu velho Adão para fora da cama, escova os dentes, toma banho, faz ele se vestir, coloca os sapatos em seus pés e vai manquitolando para a igreja.
          Espera-se que se continuar arrastando o velho Adão à igreja, ele, eventualmente, poderá tornar-se um cristão. E se ele se tornar um cristão – quem sabe? – talvez com o tempo tornar-se-á um espécime raro, aprenderá a caminhar corretamente, ainda que tropece de vez em quando.
       Triste não é usar a muleta que está à disposição, triste é preferir rastejar imaginando caminhar elegantemente. 
(Trecho do livro "Um Grito de Ausência" © de Samuel Rezende)

sábado, dezembro 28, 2013

O Relojoeiro

O mecanismo interno de um relógio serve de analogia da vida cristã. Engrenagens que giram em sentido horário estão unidas a outras que trabalham em sentido inverso. A impressão é a de que um relojoeiro maluco inventou esse objeto. Aparentemente, o confronto de movimentos inviabilizaria o funcionamento do relógio.  Mas, o olhar de um perito sabe que o mecanismo possui uma mola mestra que controla todas as outras engrenagens. A carta escondida na manga é que todas trabalham juntas com um objetivo definido: mostrar o horário correto.
Quando as dúvidas surgirem, quando as coisas parecerem sem sentido, quando o sofrimento brotar sem aviso prévio, quando você se considerar injustiçado, lembre-se das engrenagens de um relógio. O Relojoeiro sabe o que está fazendo. Confie que todas essas engrenagens aparentemente destrambelhadas funcionarão perfeitamente dentro dos planos de Deus. Repouse nos braços eternos confiando que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”.
(Trecho extraído do livro "Náufragos da Fé" © de Samuel Rezende)

segunda-feira, dezembro 23, 2013

O Príncipe da Paz

700 anos antes de Cristo, inspirado por Deus, o profeta Isaías escreveu algumas palavras que me fazem estremecer: “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is. 9:6)

Será que eu o considero tão Maravilhoso que sou capaz de entregar todas as coisas – incluindo os desejos desordenados, os planos egocêntricos – confiando no caminho que Ele traçou?

Será que eu o considero meu Conselheiro e vivencio os Seus ensinamentos?

Será que eu o considero o Deus Forte mais forte do que os meus desejos, poder financeiro e projetos?

Será que eu o considero o Pai da Eternidade a tal ponto que abro mão das coisas transitórias?

Será que eu o considero o Príncipe da Paz, mas ao mesmo tempo vivo como um súdito mergulhado em intensa agonia?

Que neste Natal e em todas as manhãs das nossas vidas possa nascer o Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz.

sexta-feira, dezembro 20, 2013

Meu Deus! Meu Deus! Por Que me Abandonaste?

O cristão deve ter a coragem de enfrentar as trevas que envolvem a vida humana. Não deve se deter quando confrontado com lacunas, mistérios ou ambigüidades. Sim, há momentos em que a bússola parece quebrada, que o porto foi destruído por um vendaval. Deus nos visita sob a forma de uma onda aterrorizante?

“Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”. Quando Cristo espalha essas palavras, não há nada que ele possa ouvir, exceto a sua própria voz ecoando pelo monte Calvário. De certo modo, estas palavras são um convite para que nos movamos através do deserto, com as pernas quebradas e o corpo em frangalhos. Ninguém disse que a viagem seria fácil. A mensagem do Evangelho não é a do livramento das dores e sofrimentos, mas a presença de Deus caminhando conosco, mesmo quando imaginamos que Ele nos abandonou.
(Trecho extraído do livro "Náufragos da Fé" © de Samuel Rezende)

terça-feira, dezembro 17, 2013

Sacerdotes Ptolomeus e Copérnicos

Vivemos tempos nos quais proliferam sacerdotes ptolomeus. Ptolomeu foi um astrônomo egípcio que defendia ardentemente que a Terra era o centro do universo e o sol e as estrelas giravam em torno dela. Muitas lideranças religiosas se colocam no centro do culto como animadores de auditório, determinando isso e aquilo.

Precisamos de mais sacerdotes copérnicos. Copérnico foi um astrônomo polonês que desenvolveu a teoria de que o Sol é o centro do universo e a terra gira em torno dele. Clamo ao Senhor da seara que envie mais lideranças religiosas que orbitem em torno do Sol da justiça, lideranças capazes de simplesmente dizer: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (Jo. 3:30).

quarta-feira, dezembro 04, 2013

O Chamado

Henry Ossawa Tanner pintou “A Anunciação”, a sua versão pessoal do momento no qual a Virgem Maria recebe a notícia de que foi escolhida para dar à luz ao Messias prometido. Na pintura o anjo Gabriel revela-se como um intenso raio de luz provocando surpresa, admiração e reverência na jovem. Deus aguardava a resposta de uma jovem assustada. E quando a resposta vem, é simples e profunda: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra" (Lc. 1:38). A Anunciação é um lembrete de que a qualquer momento um visitante inesperado pode invadir a minha vida trazendo um convite para trilhar caminhos que jamais imaginei. Ele não precisa me visitar com shows pirotécnicos ou numa extraordinária experiência espiritual. A questão não é como Ele vem, mas como eu respondo ao chamado. 

terça-feira, novembro 26, 2013

Jugo Suave e Fardo Leve?

Jesus nos convidou a aceitar o “jugo suave” e o “fardo leve”. Um paradoxo como a deslumbrante escuridão. O jugo é suave porque Jesus é manso e humilde de coração. Ele conhece a nossa estrutura. Ele compreende a nossa fraqueza. Trata-se de um jugo projetado especificamente, que se encaixa no nosso temperamento, convivendo com as nossas forças e fraquezas, de forma generosa e gentil.
            O jugo é suave porque corresponde à realidade da nossa vida. O jugo é suave porque Jesus está conosco, como dois em uma canga de boi. O jugo é suave e o fardo leve porque estou vestido com o meu verdadeiro eu, sem medo e vergonha. A máscara é muito mais pesada do que podemos imaginar.

quarta-feira, novembro 20, 2013

Um Caminho ou O Caminho

Jesus não é um caminho. Jesus é O caminho. Muitos que dizem confessar o Seu nome, concomitantemente, anunciam um cristo totalmente estranho aos Evangelhos; um cristo moldado por ideologias anticristãs, sutilmente infiltradas nas igrejas através de frases formuladas por pensadores que, na verdade, tentam derrubar o alicerce bíblico. Quando você ler uma frase ou livro de um autor intitulado cristão, preste atenção se o que ele diz tem respaldo bíblico ou é a velha estratégia ideológica de cores marxistas embaladas em frases de auto ajuda a la teologia da libertação.

sexta-feira, novembro 08, 2013

Na Estrada que Ele Projetou

Gostamos de falar da luz divina, mas tentamos ocultar os nossos pecados com justificativas, a preferida é: Ele me fez assim. Ousamos transferir os nossos pecados ao próprio Deus, nem mesmo Adão e Eva foram tão longe.
Queremos a salvação universal, mas não que Ele nos salve de nós mesmos. Pedimos que abençoe os nossos caminhos, mas não queremos caminhar na estrada que Ele projetou – só a aceitamos se for compatível com aquilo que desejamos.
Então inventamos deuses que se adaptam as nossas reivindicações de felicidade, liberdade, cura e prosperidade. Não queremos um Deus que nos dá a felicidade a Seu modo, uma liberdade submetida à vontade dEle, a cura e a prosperidade dentro do Seu projeto. Fingimos não saber que somos chamados a esquecermos de nós mesmos para que possamos lembrar-nos de Deus.
(Trecho do livro "Um Grito de Ausência" © de Samuel Rezende)

terça-feira, novembro 05, 2013

Em Tempos de Religião Vida Mansa

Acabei de ler que duas "pastoras" lésbicas, que em 2011 fundaram uma igreja em SP, resolveram se casar. Como sempre, alguns politicamente corretos se esbaldam dizendo que Jesus amava e aceitava a todos, incondicionalmente. Jesus amava a mulher adúltera, a perdoou, mas também a orientou: "Vá, e não peques mais".
Outros, dizem que Jesus nunca disse nada sobre a homossexualidade. Quando Jesus queria corrigir uma visão deturpada sobre determinado assunto, ele se manifestou, na maioria das vezes dizendo: “Ouviste o que foi dito aos antigos, eu porém vos digo…”. Jesus também não disse nada sobre o estupro, aborto e sexo com animais, dentre outras coisas. O silêncio de Jesus ratificou o que já havia sido dito. O mesmo vale para a homossexualidade.
Em tempos de religião vida mansa, de releituras para agradar o paladar dos sodomitas, urge relembrar algumas palavras do apóstolo Paulo: "Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino.
Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério. Quanto a mim, já estou sendo derramado como libação, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda" (II Timóteo 4:1-8).
O que Paulo diria para alguns cristãos que estão depondo as armas diante do bombardeio dos politicamente corretos? Acho que ele já disse: "Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado!
Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo. Irmãos, quero que saibam que o evangelho por mim anunciado não é de origem humana. Não o recebi de pessoa alguma nem me foi ele ensinado; pelo contrário, eu o recebi de Jesus Cristo por revelação" (Gálatas 1:6-12).
***
A igreja não deve se preocupar por destoar do padrão do mundo. A igreja não é um clube cuja finalidade consiste na adaptação de Deus aos padrões estabelecidos por seus membros. A igreja tem apenas de pregar o evangelho e não se preocupar com o ranger de dentes dos politicamente corretos.

quarta-feira, outubro 30, 2013

O Encontro

Quando vejo imagens mostrando extenuados espermatozoides ansiosamente se aproximando de um óvulo, enxergo um bando de alienígenas tentando chegar a um planeta habitável. 
Enquanto Allan Kardec adaptava a teoria darwiniana da evolução das espécies para o universo espiritual, apontando “soluções” para o enigma dos bebês deficientes, aos 22 anos eu já tinha a experiência de conviver com dois bebês portadores de uma síndrome raríssima. Ambos morreram. 
Uma das grandes lições que aprendi é que o surpreendente não é nascerem bebês “anormais”, mas sim o nascimento de milhares “perfeitos”. A intrincada bioquímica envolvida na gestação de uma criança saudável é espantosa.

Tinha razão o salmista quando exclamou: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza.
Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir. Como são preciosos para mim os teus pensamentos, ó Deus! Como é grande a soma deles!" (Salmos 139:13-17).