O homem ocupa um espaço entre os animais e os anjos, é um peregrino investigando a sua jornada, e que encontra a salvação não na ciência ou na filosofia, mas em um evento histórico que envolve uma pessoa.
O homem é o único amador, todos os outros são profissionais. Eles não têm lazer e não o desejam. Quando a vaca acaba de comer, ela rumina; quando ela termina a mastigação, ela dorme; quando ela acorda, ela come novamente. Ela é uma máquina que transforma capim em vitelos, leite e bezerros. O leão não pode abandonar a caça, o castor não desiste da árdua missão de construção de barragens, nem as abelhas ignoram a produção de mel.
De todos os fantasmas que assombram o cosmos, dentre bilhões de objetos estranhos no universo – quasars, pulsars, buracos negros – o ser humano é o mais estranho.
Eu não sou nenhum cientista, sou apenas um peregrino com um pé na teologia e um amor por palavras. Como um pensador eu tento descobrir que a beleza é mais do que um fato, um mistério. Eu gosto da natureza – das coisas belas e grotescas. Na natureza eu encontro o enredo da graça e o êxtase da violência; a paisagem intrincada revelada na morte; o mistério, a novidade e um tipo de exuberância nostálgica.
Ali habita o mistério da criação contínua e a variedade imensurável de cores e formas. A incerteza da visão, o horror do fixo, a dissolução do presente, a beleza imensurável, a pressão da fecundidade, a ilusória natureza livre e a perfeição danificada.
A paisagem revela a beleza extravagante da criação. A criação faz a conexão da eternidade com o tempo, em intrincadas malhas que refrigeram os olhos. Você não precisa de iscas, ganchos e redes; basta se maravilhar. ©



















