quinta-feira, julho 14, 2011

Reducionismo

Há poucos dias distrai-me com uma rachadura na porta da casa de uma fazenda. Um feixe de luz aproveitou a pequena brecha para dar o ar de sua graça. Quando olhei o raio de sol vi apenas partículas de poeira a bailar no ar. Quando olhei pela janela, vi as matas, árvores e o céu azul, com um sol brilhando a noventa milhões de quilômetros de distância. Olhar pela janela ou para o feixe de luz na rachadura da porta são experiências muito diferentes.
            Tenho a impressão que passei a maior parte da minha vida olhando o feixe de luz. Hoje, tenho a clara impressão de que o mundo contemporâneo desposou o reducionismo. Quando leio artigos de biólogos, psicólogos, sociólogos e neuropsicologistas, sinto uma sensação incômoda.
            Interpretar processos de pensamento individual em termos de “pacotes complexos” e marxistas em termos de “interesses econômicos”, as duas visões empenhadas em destruir a crença cristã como “ideologicamente defeituosa”, num exercício de reducionismo levado ao extremo. Freud e Marx parecem duas crianças serrando o galho no qual estão sentados. ©

Por Que Tem Que Ser Assim?

Título original: The Heart Is A Lonely Hunter
Direção: Robert Ellis Miller
Gênero: Drama
Tempo de duração: 124 minutos
Ano de lançamento: 1968
Sinopse: Uma obra-prima de sensibilidade e observação. John Singer é surdo-mudo. Ele vive num quarto alugado na casa da garota Mick. Os dois tornam-se amigos, mesmo diante da dificuldade de comunicação entre eles. Além disso, Mick apresenta muitos traumas de adolescência. É isso o que leva Singer a fazer de tudo para ajudar a menina, assim como ele faz com todas as pessoas que necessitam de ajuda. A questão é que não há ninguém que o ajude a resolver os próprios problemas. Baseado no romance de Carson McCullers.

Os Miseráveis (Victor Hugo)

quinta-feira, julho 07, 2011

O Som do Coração

Título original: August Rush
Direção: Kirsten Sheridan
Gênero: Drama/Romance
Tempo de duração: 113 minutos
Ano de lançamento: 2007
Sinopse: Evan, garoto criado em um orfanato, possui um dom musical impressionante. Ele é o fruto do encontro apaixonado da violoncelista Lyla e do roqueiro Louis, que foram tragicamente separados pelo pai de Lyla. Cada um seguiu seu caminho, sem saber que Evan estava vivo, e com a única certeza de que haviam sido feitos um para o outro. Evan, em seu coração, nunca perdeu a esperança de encontrar seus pais. Em sua incrível busca, ele foge para Nova York, onde recebe a ajuda do "Mago", um empresário de rua. Uma história comovente, sobre a magia da música e o poder do amor.

Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano (Alvaro Vargas Llosa)

terça-feira, junho 28, 2011

Epifania

As epifanias podem acontecer a qualquer um, em qualquer momento da vida. As revelações, os suspiros milagrosos que reacendem velhas chamas e até as pequenas nuvens que se formam diante dos olhos não são artes de ficção, resultado de experiências imersas em fantasia.
            John Updike escreveu que certa vez estava “com medo e sem sono em um quarto de hotel em Florença, na Itália” quando teve um momento de epifania no meio de uma tempestade: “Relâmpagos. Raios. A chuva estava furiosa. Eu não estava sozinho no universo... Eu estava cheio de um sentimento de felicidade... Meu fardo de ser estava sendo compartilhado. Deus estava trabalhando, à vontade, até mesmo nesta agitação noturna de Florença, esta ira celeste e desafio arquitetônico, esta luta Jacobeana... Tudo isso parecia um resgate, uma oração atendida”. ©

Trem Mistério

Título original: Mystery Train
Direção: Jim Jarmusch
Gênero: Comédia/Drama
Tempo de duração: 110 minutos
Ano de lançamento: 1989
Sinopse: Três histórias inusitadas, cujos personagens se cruzam num hotel decadente de Memphis, terra natal de Elvis Presley (figura constante em todo o filme). No primeiro episódio - Longe de Yokohama - um casal de japoneses obcecados pela cultura americana e fanáticos por rock da década de 50 vai aos EUA conhecer os estúdios da Sun Records. No segundo - Um Fantasma - uma mulher italiana vem a Memphis buscar o corpo do marido, que morrera ali poucos dias antes. Após ser perseguida por um bando de delinquentes, hospeda-se num hotel assombrado pelo fantasma de Elvis Presley. No terceiro - "Perdidos no Espaço" - um marido ciumento e os seus amigos ficam bêbados e metem-se numa enrascada ao matar acidentalmente o balconista de uma loja de conveniência.

O Fantasma da Ópera (Gaston Leroux)

terça-feira, junho 21, 2011

Terra das Sombras

Título original: Shadowlands
Direção: Richard Attenborough
Gênero: Drama
Tempo de duração: 131 minutos
Ano de lançamento: 1993
Sinopse: Um período da vida de C. S. Lewis, professor, intelectual, teólogo leigo e escritor (autor de As Crônicas de Nárnia). Em 1952, na Universidade de Oxford, surge o relacionamento entre o professor e intelectual C. S. Lewis (Anthony Hopkins) e a escritora americana Joy Gresham (Debra Winger). Eles se encontraram após ela lhe ter escrito uma carta, sendo que esta correspondência a levou a sua primeira viagem à Inglaterra, que ela fez em companhia de Douglas Gresham (Joseph Mazzello), seu filho. Lewis a recebeu como cortesia, como parte da rotina de sua vida de professor, mas ele não sabia o que fazer quando algo lhe ficou claro: que estava apaixonado.

A Peste (Albert Camus)

terça-feira, junho 14, 2011

O Mundo é Grande e a Salvação Espreita ao Virar a Esquina

Título original: Svetat e Golyam I Spasenie Debne Otvsyakade
Direção: Stephan Komandarev
Gênero: Drama
Tempo de duração: 105 minutos
Ano de lançamento: 2008
Sinopse: O que existe num jogo? Para um jovem rapaz que deixou seu país para trás, perdeu a memória e esqueceu seu amor, um jogo pode ser a única saída. É assim para Alex, um rapaz búlgaro que cresceu para ser um homem alemão. Depois de um acidente de carro, Alex sequer se lembra de seu nome. Numa tentativa de curar essa amnésia, Bai Dan - avô de Alex - chega a Alemanha e organiza uma viagem espiritual ao passado do neto. A idéia é voltar ao país de origem do rapaz, cruzando a Europa por diversos lugares. Durante a viagem eles jogam gamão - ao mesmo tempo simples, mas o mais complexo dos jogos. É a partir desse jogo que Alex vai descobrir quem ele é.

Origens do Totalitarismo (Hannah Arendt)

sábado, junho 11, 2011

A Beleza em Retalhos

Original Abstract Art – Contemporary Art Gallery by Osnat Tzadok

Vivemos como turistas em um ônibus trafegando em uma bela paisagem. Atravessando campos de girassóis e montanhas deslumbrantes. Os passageiros, inexplicavelmente, fecham as cortinas do ônibus. Não se dão conta da beleza que os circundam. Preferem perder tempo com discussões inúteis, procurando a melhor poltrona e quem demora mais no banheiro.
Paul Tilich escreveu: “Em todas as religiões a experiência do sagrado é mediado por alguma peça da realidade finita. Tudo pode se tornar um meio de revelação, um portador do poder divino”. Tudo inclui não só todas as coisas na natureza e na cultura, na alma e na história; inclui também os princípios, categorias, essências e valores. Entre estrelas e pedras, árvores e animais, conquistas e catástrofes, ferramentas e casas, escultura e melodia, poesia e prosa, leis e costumes, partes do corpo e funções da mente, relações familiares e comunidades voluntárias; através do tempo e do espaço, ser e não-estar, ideais e virtudes, o sagrado pode surpreender-nos e confrontar-nos. Há um rosto oculto nas dobras dos acontecimentos, deslizando pela matéria.
Eu sempre senti que as pessoas, de alguma forma, costumam imortalizar uma paisagem, que o simples fato de uma presença humana em um determinado lugar deixa uma marca. Walt Whitman estava certo quando festejou a melancolia e a beleza criada em um lugar por onde transita multidões e gerações que passaram por ela.
As ruínas são testemunhas da perda, restos de coisas e mantêm uma melancolia em si mesma. Ecos metafísicos. Trilhas que apontam para presenças ausentes. Caminhando a beira das ruínas de uma casa na fazenda da minha família, encontrei uma mariposa agarrada a um madeiramento que se mantinha em pé, protegida do vento. Toquei-a de leve, parecia hibernar, era colorida com um anel azul desenhado nas asas.
Acompanhando a cerca cheguei próximo a uma árvore cuja casca revirava como pipoca estourada. Comecei a descascá-la até que deparei com uma pequena borboleta, ela estava encolhida e tremia, parecia proteger-se do tempo frio. Quando o frágil raio de sol a tocou, ela se abriu como uma ostra.
Uma das coisas que eu costumo admirar são as borboletas. O formato, as cores, a leve e irrequieta dança. Mas há outra coisa: borboletas são evanescentes, um símbolo da transitoriedade. A sua fragilidade no tempo aumenta a sua beleza.
Quando era garoto, eu perseguia as borboletas; a atração era mais estética do que científica. Uma vez acompanhei o passeio de uma borboleta, por um estreito caminho, densamente sombreado, a beira de um riacho. Ela parecia flutuar sobre o manto de luz do sol. Era uma mistura de preta-roxa com fitas amarelas e azuis. Uma sublime combinação de cores que, no vestuário ou na decoração de casa, ficaria horrível.
Há pouco tempo voltei ao mesmo lugar onde persegui a inesquecível borboleta. O mato acabara com o santuário.
Mas ali estavam alguns pés de laranja com jóias amarelas penduradas nos galhos espinhosos. Eu as pego e inundo o ar com sua sedutora fragrância. Raios de ouro brilhavam através das suas folhas.
Domesticar os olhos. É o que venho tentando fazer. Cheguei a conclusão de que já perdi muitas laranjeiras louvando a Deus no final de uma safra maravilhosa, espalhando a cor de ouro brilhante, com suas folhas iluminadas pelo sol. Já perdi um casal de gansos com suas cabeças reverentemente inclinadas para Deus.
Há alguns dias eu vinha caminhando pela rua da minha casa, e um casal de arara azul, empoleirado em uma das antigas palmeiras que enfeitam o jardim de uma residência, conversava animadamente. Parei e fiquei prestando atenção no diálogo arrebatado. Gostaria de conhecer a sua linguagem ou ter à mão um tradutor. A quinze metros, quatro mulheres também conversavam acaloradamente. No entanto, as palavras proferidas pareciam tão insípidas quando comparadas a enérgica colocação da arara. Encantado, isolei os meus sentidos das “papagaiadas” humanas, e, durante cerca de cinco minutos me entreguei ao universo das araras.
Alguns dias depois, em um dos postes de madeira da rua onde moro, um casal de pica-pau batucava animadamente, com seus belíssimos topetes vermelhos. Um João de Barro retocava a sua casa em um poste em frente a minha casa. E uma orquestra de pássaros posicionou-se no muro e na antena parabólica da minha casa.
Fiquei pensando nas palavras escritas por Isak Dinesen: “Uma ave, se forçar ao máximo a capacidade de suas asas, poderá encontrar ou passar por um anjo numa das trilhas agrestes do espaço celeste. Quem sabe a asa da andorinha já roçou o pé de um anjo, ou o olhar de uma águia, ao sentir suas se exaurirem, encontrou os olhos calmos de um dos mensageiros de Deus”.
Poderia os anjos orientar os pássaros a pousarem nas estradas que eu trilho?
Quando era um garoto, nunca imaginei que a natureza faria parte da minha mitologia pessoal. Era um menino apaixonado por árvores, pequenos insetos e trilhas na mata. Fui passar alguns dias na casa da minha tia, não havia energia elétrica e às 18 horas a escuridão que dominava o ambiente somente era quebrada pela frágil luz de uma lamparina. A escuridão da noite na fazenda provocou intensa tristeza misturada a medo. O meu heroísmo resistiu à apenas uma noite.
Mesmo assim, florestas e bosques me dão a impressão de um santuário, um local onde é possível que os contos de fadas tornem-se realidade. O mundo é um símbolo de uma grande generosidade. Após 20 anos no exterior, Henry James visitou a Nova Inglaterra, durante o outono, e prestou atenção no imenso consolo, beleza, dignidade e elegância de uma floresta: “Como uma jovem mulher vestida para um baile à fantasia”.
A poesia foi a minha principal orientadora no caminho da natureza. Para Wordsworth “A natureza é uma inesgotável fonte de fantasias e provocante encantamento”.
Há alguns dias caminhei por uma antiga trilha no meio da mata fechada da fazenda da família. Sentei em uma grande pedra e fiquei admirando a beleza das imponentes e elegantes árvores, enquanto muitos pássaros cantavam e pulavam de galho em galho. Os brotos verdes de plantas e flores selvagens abriam caminho através da terra.
Em dias assim os pássaros voam pelo vale, a chuva derrama-se sobre a fazenda, e filetes de água descem da mata escorrendo para o rio. A água está cheia de sedimento e galhos. Os gritos de alguns animais parecem chamar de volta a esperança.
À beira do rio peguei algumas pedras. Uma pedra branca parecia um pequeno ovo, outra uma meia lua. Caminho na areia e tenho a sensação de caminhar em seda desfiada.
Assisti a um filme em que a personagem escreveu: “Os jovens amantes procuram a perfeição”. E ele respondeu: “Os velhos amantes conhecem a arte de costurar retalhos. E de ver a beleza dos remendos”.
Quando vou a fazenda pego os retalhos, costuro-os e fico olhando a beleza dos remendos. Cada novo amanhecer, cada gota de chuva, cada orquídea, cada lâmina da grama, cada formigueiro, cada toque de uma mão querida, cada abraço de uma criança sorridente, cada tomada de um bom filme, cada nota de um concerto de Mozart. Junto tudo isto com aquilo que encontro pelo caminho.
A poetisa Emily Dickinson dizia que o único mandamento que não havia quebrado era “Olhai os lírios do campo”. Tenho tentado fazer o mesmo.
Thomas Hobbes aconselhou a acompanhar as sebes a beira da estrada quando andamos errantes, sem mapas e correndo perigo. Ele está certo, mas às vezes as nossas estradas não têm sebes. Então, nessas horas de angústia precisamos olhar para a natureza e ouvir a voz de Jesus: “Não andeis ansiosos... olhai os lírios do campo... vós valeis muito mais do os pardais”.
Num bar em Paris durante o dia, uma jovem mulher se aproxima de um homem de meia-idade e diz que tinha lido uma coisa fantástica numa revista e precisava falar disso com alguém. Era o seguinte: no México, cientistas contrataram carregadores para levá-los ao cume da montanha de uma cidade inca. A certa altura, os carregadores não quiseram mais prosseguir. Os cientistas, irritados, não sabiam mais como fazê-los seguir adiante. Não entendiam os motivos de uma parada tão prolongada. Após algumas horas, os carregadores recomeçaram a andar e, finalmente, o chefe deles deu uma explicação: eles tinham corrido muito e estavam esperando suas almas chegarem. A moça que contou esta história – uma personagem de “Além das nuvens”, filme do diretor Michelangelo Antonioni, – comentou: “É fantástico, porque também corremos atrás de nossas coisas e perdemos nossas almas. Devíamos esperar”.
Realmente, corremos atrás de tantas coisas que nossas almas não vêem mais a beleza dos lírios do campo.
Sempre que ando nas matas presto atenção nas velhas árvores. Existem vários pontos apodrecidos, onde pássaros fazem ninhos nas suas cavidades. Não é assim com Deus? Ele pega os fracassos, falhas, dores, ruínas e transforma em vida, alegria, luz e abundância.
Alguns desastres são visíveis, fáceis de notar, como uma árvore que não resistindo à tempestade, perde vários galhos – a morte de um querido, as decepções etc.. Outros são mais silenciosos e, aparentemente, invisíveis. Como os pequenos furos na casca de uma árvore – um relacionamento que se desfaz, um amigo que quebra a promessa, um emprego que perdemos.
Quando uma árvore morre, ela se torna uma pequena casa confortável para vários animais. Pequenas criaturas ainda encontram refúgio em seu interior. Quando estamos feridos, aparentemente mortos, Deus pode preencher os lugares mortos com olhos brilhantes e sons vibrantes. Se Deus pode utilizar o “cadáver” de uma velha árvore para sustentar a alegria da vida, pode fazer brotar a alegria em nosso interior machucado.
Há poucos dias vi alegres abelhas entrando e saindo de um buraco em uma velha árvore. Ali dentro um rio de mel deslizava suavemente. O zumbido das abelhas enchia o ar. Um pouco adiante, borboletas amarelas, pretas e laranjas flutuavam. Havia de todos os tamanhos e cores. Uma pequena, do tamanho da unha do polegar, desfilava a roupa azul e verde. Besouros pareciam guerreiros medievais com suas reluzentes armaduras. Insetos com voz soprano acompanhavam o zumbido das abelhas. Passarinhos bicavam as jabuticabas.
Eu vi o dedo de Deus na primavera passada fazendo brotar o tomate, a melancia e as flores e, no inverno, acariciando suavemente a natureza, mandando-a dormir e esperar o momento do renascimento.
Deus me tocou e foi tocado: nas palavras com as quais eu trabalhava, me movendo por caminhos que eu devia andar, mas não queria fazê-lo. Eu o vi no sol do verão e da esperança, no vento de outono e na reflexão, no frio a endurecer os dedos das mãos, esparramando-se pela grama que protege as vidas de pequenos animais que aguardam a primavera para sair do refúgio.
Posso não ter visto Deus ou anjos. Mas tenho visto as águas agitadas que revelam a sua presença. E, pouco a pouco, tenho olhado o mundo como a superfície de um lago, sabendo que há muitas coisas ocultas, e que preciso mergulhar para vê-las.

(Trecho do livro “Um Grito de Ausência” © de Samuel Rezende )

terça-feira, junho 07, 2011

Um de Nós

Tenho o costume de, quando gosto de uma canção estrangeira, procurar a tradução da letra. Há alguns anos, uma música tocava insistentemente na rádio. Quando encontrei a tradução fiquei bastante surpreso. Aquela mulher ousava perguntar: “E se Deus fosse um de nós?”.
            Deus, um ser humano? Deus caminhando neste planeta, com os lábios rachados, os pés doloridos, mau hálito e dor de cabeça? Deus cumprindo tarefas monótonas? Deus saindo com os amigos e fazendo alguns inimigos?
            Joan Osborne perguntava exatamente isto:
E se Deus fosse um de nós
Só um idiota como um de nós
Apenas um estranho no ônibus
Tentando fazer o seu caminho pra casa?
            Uma mulher estava cantando:
Sim, sim, Deus é grande
Sim, sim, Deus é bom
            A cantora perguntava: se víssemos o rosto de Deus, acreditaríamos nos santos, nos profetas e no céu?
            E se Deus fosse um de nós, como reagiríamos a isto? ©

Tão Longe, Tão Perto

Título original: In weiter Ferne, so nah! / Faraway, So Close!
Direção: Wim Wenders
Gênero: Drama
Tempo de duração: 144 minutos
Ano de lançamento: 1993
Sinopse: Este filme é a seqüência de "Asas do Desejo" (1987). Mais uma vez, trata de um grupo de anjos que observam distantes o dia-a-dia dos cidadãos da capital alemã - agora recém unificada. Apesar dos anjos serem proibidos de interferir na vida humana, Cassiel (Otto Sander) impulsivamente quebra esta regra quando uma menininha cai do terraço de um prédio e ele corre para a socorrer - o que o transforma em carne e osso. Damiel (Bruno Ganz), o companheiro de Cassiel que optou pela vida terrena no primeiro filme, trabalha agora numa pizzaria e vive com sua esposa, a trapezista Marion (Solveig Dommartin). Recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 1993.

A Caixa Preta de Darwin (Michael Behe)

sábado, maio 28, 2011

Instrumentos Desafinados

Se um dia tivesse que morar em uma grande cidade, eu teria enorme dificuldade de adaptação. O barulho constante e a pressa não me atraem. Moro em uma pequena cidade que, às vezes, já me parece excessivamente barulhenta. Automóveis, ônibus, veículo do corpo de bombeiros, sirenes de ambulância ou de carros da polícia, motocicletas, me parecem uma orquestra com seus trompetes, trombones, saxofones, tambores, violinos e outros instrumentos desafinando em uma melodia. ©

Uma Noite Sobre a Terra

Título original: Night on Earth
Direção: Jim Jarmusch
Gênero: Comédia/Drama
Tempo de duração: 128 minutos
Ano de lançamento: 1991
Sinopse: Uma história de cinco episódios. Todos ocorrem na mesma noite, envolvendo motoristas de táxi e seus passageiros. As histórias são situadas em cinco cidades diferentes: Los Angeles, Nova York, Paris, Roma e Helsinki. Em Los Angeles, um caçador de talentos para o cinema descobre que a taxista (Winona Ryder) que o leva é perfeito para um papel. Em Nova York, um taxista estrangeiro está perdido em uma cidade e cultura totalmente desconhecida, enquanto que, em Paris, uma garota cega (Beatrice Dalle) conversa com o motorista sobre a vida e sua condição. Na capital italiana, um sacerdote adoentado entra no táxi de um motorista (Roberto Beningni) bastante sociável, com quem conversa sobre a morte. Por fim, em Helsinki, o funcionário de uma fábrica conversa com seus compatriotas sobre o vazio e as injustiças da vida e da morte.

Crime e Castigo (Dostoiévski)

sábado, maio 21, 2011

O Nono Dia

Título original: Der Neunte Tag
Direção: Volker Schlöndorff
Gênero: Drama/Guerra
Tempo de duração: 97 minutos
Ano de lançamento: 2004
Sinopse: Durante o Regime Nazista um padre é preso e enviado para um campo de concentração. Para sair de lá com vida ele recebe uma condição: negociar com o bispo de Luxemburgo uma aliança da Igreja Católica com Hitler. Em nove dias a sua consciência e sua paz são atormentadas por causa do objetivo nazista e pela lembrança do inferno onde ficou preso. Em nove dias ele decidirá: se fugir para outro país, os seus companheiros detidos em Dachau no "bloco dos padres" serão executados, se recusar voltará para o inferno de onde saiu. A sua fé e consciência resistirão ao desejo de permanecer distante daquele pedaço do inferno?

O Deserto dos Tártaros (Dino Buzzati)

sábado, maio 14, 2011

O Curioso Caso de Benjamin Button

Título original: The Curious Case of Benjamin Button
Direção: David Fincher
Gênero: Drama
Tempo de duração: 165 minutos
Ano de lançamento: 2008
Sinopse: Drama baseado no conto homônimo escrito por F. Scott Fitzgerald nos anos de 1920, que conta a história de Benjamin Button, um homem que misteriosamente começa a rejuvenescer e passa a sofrer as bizarras consequências do fenômeno. Button, estranhamente, chega aos seus 80 e poucos anos - na New Orleans de 1918, quando a Primeira Guerra está chegando ao fim - e a partir disso começa a ficar mais jovem. Ainda que a cronologia do tempo siga normalmente e ele invada os anos do século 21.

Cristianismo Puro e Simples (C. S. Lewis)

sábado, maio 07, 2011

Encontro

É preciso abrir-se ao “milagre” do encontro, ao extremo do possível. O materialismo trabalha continuamente para tapar as fissuras por onde pode passar a graça, asfixiando o olhar.
Hoje, como Simone Weil, peço a Deus que me liberte de Deus. Ou seja, que me liberte da falsa imagem de Deus que, influenciado ou não, acabei criando. Deus renunciou a si mesmo, na expressão bíblica “esvaziando-se”, para poder encarnar. Eu também preciso renunciar a algo. Só se possui aquilo a que se renuncia. Começava, naquele momento, o Deus que renuncia até que o ápice fosse atingido na vida de Jesus. Deus aproxima-se como o irmão comum.
Gosto das palavras de Weil: “É Deus quem por amor se retira, a fim de que possamos amá-lo... mediante a noite escura, se retira para não ser amado como o tesouro pelo avaro... E não quer que o amemos como o avarento ama o seu tesouro, porque o tem perto, possuído”. Amamos em verdade e espírito quando acreditar nele não nos traz nenhum benefício.
            Deus é o que aceita o combate, e na aceitação se enfraquece para não provocar a destruição do oponente, mas também é aquele que a qualquer momento pode revelar-se como possuidor de um poder infinito.
            Certo dia estava na praia de Cabo Frio (RJ), era uma tarde agradável com sol, algumas aves mergulhavam na superfície do mar e subiam novamente, fiquei ali acompanhando a calma, bonita e indiferente quietude das marés.
            Sim, indiferente. O pensamento que nada disso importa. A impenetrável transcendência de uma tarde gloriosa.
            Será que tenho domesticado Deus ao imaginá-lo centrado no planeta terra quando existem milhares de estrelas no universo? Criei a imagem de uma deidade intervencionista na minha alma? Ele é, em última análise, este silencioso murmurar de ausência do planeta, exceto em momentos ocasionais, quando entrou em cena interrompendo o fluxo natural de uma forma que podia ser ignorada, pregado em uma cruz com os pulsos perfurados, literalmente, abandonado?
            Para os cristãos, Deus pode ser mais bem vislumbrado em Jesus Cristo. Jesus ressaltou que nem uma folha cai de uma árvore sem o olhar atento de Deus. A terrível consciência da santidade de Deus é um trabalho do Espírito Santo, sacudindo a nossa propensão ao comodismo, mantendo uma tensão que nos torna mais suscetível a notar a doçura de Jesus Cristo. ©

Na Cidade de Sylvia

Título original: En la Ciudad de Sylvia
Direção: José Luis Guerín
Gênero: Drama
Tempo de duração: 82 minutos
Ano de lançamento: 2007
Sinopse: Um rapaz viaja à cidade francesa de Estrasburgo em busca de Sylvia, mulher que conheceu anos antes e por quem se apaixonou. Sentado na mesa ao ar livre de um café, ele observa pacientemente todas as mulheres que passam na esperança de encontrar aquela que ama. Munido de um caderno e um lápis, ele rabisca os rostos e silhuetas das belas e sensuais moças que vê. Quando finalmente acredita ter encontrado Sylvia, ele percorre incansavelmente as ruas da cidade atrás dela.

Grandes Esperanças (Charles Dickens)

quinta-feira, abril 28, 2011

Exposição

             O que importa não é apenas saber se Deus existe, se além do brilho das estrelas existe uma inteligência cósmica que mantém o universo, mas saber se existe um Deus envolvido em nosso dia a dia, um Deus que envia mensagens tentando superar a nossa cegueira à medida que se move mergulhando até os joelhos no esterco miserável da existência humana e na maravilha do mundo.
Talvez a prova não seja tão espetacular quanto Filipe queria quando pediu a Jesus: “Mostra-nos o Pai”, e este respondeu “Tenho estado todo este tempo convosco e não me conheces?”.
O mundo moderno já o ilustrou como um hippie, de barba parecida a de Jim Morrison nos dias finais do LSD, zanzando por Israel, inalando perfumes da flora local, enquanto expressa em frases zen, dignas de serem repetidas nos exercícios de ioga, meditada ao som de CDs com sonares de baleias.
Prefiro o Jesus das Escrituras. Não creio em um Messias no qual não posso confiar, e em quem não reconheço sinais de glória.
Prefiro o Salvador que tenha coragem de empunhar o chicote contra os mercadores da fé, que se intromete na relação pessoal e íntima de cada um de nós com Deus (Jo. 17:3 e I Tm. 2:5), isto após acariciar crianças com efusivos abraços, incitando-nos à humildade pueril, e dias mais tarde, ser cuspido, dilacerado, sangrando até a morte na cruz do calvário, para ressuscitar ao terceiro dia, vencendo o mundo, que veio salvar.
            É este Deus imerso em nossa biologia, este Deus encarnado na criação que nós conhecemos em Jesus Cristo. Através da vergonha e ignomínia da cruz, o Deus invisível se fez visível, o Redentor oculto é revelado. A profunda natureza de Deus como aquele que sofre é conhecida através dos olhos da fé. A cruz é a escandalosa exposição do Deus oculto. ©

Magnólia

Título original: Magnolia
Direção: Paul Thomas Anderson
Gênero: Drama
Tempo de duração: 178 minutos
Ano de lançamento: 1999
Sinopse: Big Earl Partridge (Jason Robards) é um produtor de TV à beira da morte que deseja reencontrar o filho. Phill (Phillip Seymour Hoffman) é seu dedicado enfermeiro e Linda (Juliane Moore), sua jovem esposa. Frank (Tom Cruise), é um célebre guru machista, é o filho que Big Earl procura. Jimmy Gator (Philip Baker Hall) é o apresentador do famoso programa de TV que também está com câncer e procurando se entender com a filha Cláudia, cocainomaníaca. Stanley é um garoto-prodígio manipulado pelo pai oportunista. O ponto comum entre essa gente? Todos vivem num bairro de Los Angeles cortado por uma rua chamada Magnólia. Mas, antes que este círculo de personagens se feche, o espectador ainda terá muitas surpresas...

Moby Dick (Herman Melville)

quinta-feira, abril 21, 2011

Leon Morin, O Padre

Título original: Léon Morin, prêtre
Direção: Jean-Pierre Melville
Gênero: Drama/Romance
Tempo de duração: 115 minutos
Ano de lançamento: 1961
Sinopse: Uma obra do cineasta francês Jean Pierre Melville. Em Leon Morin, ele conta a história de uma viúva (Emmanuelle Riva) que vive com a sua pequena filha France e que é militante do partido comunista. Quando os alemães chegam ela envia France à fazenda e decide dirigir-se à paróquia e confrontar um padre (Jean-Paul Belmondo) com a idéia da inexistência de Deus. Contudo, a reação do padre não era aquela que ela imaginava. Melville usa um assombroso preto-e-branco para filmar uma história de amor que acontece entre as ruínas da França ocupada pelas forças da Alemanha e Itália.

O Morro dos Ventos Uivantes


quinta-feira, abril 14, 2011

Perguntas

Deus não é objeto de investigação científica nem algo que possamos introduzir no tesouro de nosso conhecimento – como um selo raro em um lugar especial da nossa coleção. Deus não é uma hipótese derivada de hipóteses lógicas. Para os racionalistas, Ele é uma coisa que buscam nas trevas com a luz de sua razão. Para o cristão, Ele é a própria luz.
            Deus não está no mundo, como um estrangeiro visitando um lugar. O mundo está em Deus.
            Os planetas, as montanhas, os elementos são objetos do conhecimento. Deus não é um objeto do conhecimento. Sem Deus não haveria absolutamente nada em tudo, sem Deus não há conhecimento. O conhecimento só é possível porque Deus é.
            Deus existe? A pergunta só é possível porque Deus está escondido atrás dela. Se você perguntar sobre Deus, não com mera curiosidade, mas como um investigador ansioso, aflito, angustiado pela possibilidade de que Deus possa não existir e que toda a vida seja vaidade e loucura, se você prestar atenção nas frestas da eternidade, a resposta pode bailar à sua frente. O seu próprio coração distingue entre o sentido e o absurdo. Para o teólogo Emil Brunner, sem Deus o mal não é mal e o bom não é bom. No ato de perguntar sobre Deus, Deus já está atrás de você tornando a sua pergunta possível.
            Crer em Deus não é um ato de credulidade ingênua. Credulidade ingênua ou desarrazoada é ter a opinião que o olho humano, a estrutura de um inseto, ou a glória de um prado em flor é apenas um produto da possibilidade.
            A insanidade “científica” penetrou no mundo confundindo os nossos sentidos. Se não há Deus a consciência é apenas um complexo de hábitos residuais e não significa nada. O santo e o criminoso são apenas fantasmas da imaginação.
            Mas há uma ordem divina que perpassa a criação, levando o homem a se curvar. O mundo, com milhões de dedos aponta para Deus. ©

Despedida em Las Vegas

Título original: Leaving Las Vegas
Direção: Mike Figgis
Gênero: Drama
Tempo de duração: 112 minutos
Ano de lançamento: 1995
Sinopse: Em Los Angeles, Ben Sanderson (Nicolas Cage) é um alcoólatra que, após ter sido demitido da produção de um filme, decide dirigir até Las Vegas, onde planeja beber até morrer. Lá conhece Sera (Elisabeth Shue), uma prostituta que também morou em Los Angeles, por quem se apaixona. Ele acaba indo morar na casa dela, sendo que ela respeita o fato dele ser alcoólatra e ele respeita seu modo de ganhar a vida. No entanto, a deterioração dele entrou em um processo irreversível.

Pais e Filhos (Turgueniev)

quinta-feira, abril 07, 2011

Na Cruz

Na cruz, o amor supera o mal. Deus tem um tempo determinado para julgar um mundo que está repleto com todos os tipos de abominação – Ele não subestima a intolerabilidade do mal. Deus não é um cúmplice do mal, utilizando-o como seu instrumento. O mal é ambíguo, instável. É uma doença dinâmica, uma existência parasitária e destruidora.
            O mistério impenetrável do mal enfrenta o mistério paradoxal da cruz. A cruz é a vitória do amor sobre o mal. A cruz é a incorporação do mal ao plano de redenção divina. Isso pode soar como algo perturbador, à beira da blasfêmia. A reação de Deus ao problema do mal, é a absorção em si mesmo. O mal não é engolido pelo amor, em um tipo de absorção química e dissolução.
Na cruz revela-se o surgimento do reino de Deus, não pelo poder das armas ou da força, mas pelo Espírito de sacrifício. A cruz destrona o reino do mal. A sabedoria do caminho da cruz é que ele ataca o mal utilizando a ambigüidade de sua natureza original, e seu estado ilegítimo. O mal é desarmado no sacrifício do próprio Deus. A manobra é algo sem precedentes. Ele aprisiona o enganador em seu próprio ardil. Ao assumir as conseqüências do pecado humano, ele nos liberta. Aqui reside o mistério da vitória.
            Na cruz, o mal é vencido pelo amor cumprindo a justiça. É o amor revelado na sua maior intensidade. ©

Fitzcarraldo

Título original: Fitzcarraldo
Direção: Werner Herzog
Gênero: Drama/Aventura
Tempo de duração: 156 minutos
Ano de lançamento: 1982
Sinopse: No final do século XIX, no apogeu do ciclo da borracha, o aventureiro Brian Sweeney Fitzgerald sonha em construir um teatro de ópera na Amazônia peruana. Para realizar seu sonho, não mede quaisquer esforços, enquanto se embrenha na mata com um barco à vapor de 160 toneladas (que irá tentar arrastar ao topo de um morro no meio da selva). Com este projeto, Herzog ganhou o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes.

Nu Perdido e Outros Poemas (René Char)

segunda-feira, março 28, 2011

Fidelidade

Eu jamais fui ateu. As minhas concepções sobre Deus mudaram durante os anos. Com a igreja tive um relacionamento de amor e raiva, mas nunca deixei de crer. Nunca joguei as minhas fichas na inexistência de Deus. As dúvidas sempre caminharam lado a lado com a fé. Há momentos em que tudo é nítido, e outros – a grande maioria – em que preciso me agarrar com todas as forças ao menor vestígio da fé. Fé vem de “fides”, fidelidade; fidelidade àqueles momentos. Não é difícil esquecer Deus; as coisas não acontecem como queremos e temos uma séria tendência a prestarmos atenção nas coisas palpáveis, e o mundo invisível pode tragicamente passar despercebido. ©

Kolya - Uma História de Amor

Título original: Kolya
Direção: Jan Sverak
Gênero: Drama
Tempo de duração: 101 minutos
Ano de lançamento: 1996
Tamanho: 698 mb
Sinopse: Na República Tcheca durante o período de ocupação soviética, por motivos políticos um violinista é impedido de trabalhar. Certo dia conhece uma jovem russa que precisa de marido tcheco para regularizar sua situação. Por dinheiro, decide ajudar, mas a polícia desconfia e ele, de início, quer se ver livre da criança. A mulher foge e lhe deixa o filho Kolya. Apesar de solteirão convicto, a relação dos dois aos poucos se estreita e... Oscar de melhor filme estrangeiro".

Ortodoxia (G. K. Chesterton)


segunda-feira, março 21, 2011

A Lista

No filme “Manhattan”, dirigido e interpretado por Woody Allen, o personagem filosofa sobre o sentido da vida: “O que faz valer a pena viver a vida?”. Em seguida acrescenta: “As maçãs e as peras de Cézanne. Um solo de Louis Armstrong. Um filme sueco”.
            Também tenho a minha lista: a felicidade estampada no rosto da minha família, os filmes, os livros, os quadros, as músicas, os alimentos e a natureza. ©

Encontros e Desencontros

Título original: Lost in Translation
Direção: Sofia Coppola
Gênero: Drama
Tempo de duração: 105 minutos
Ano de lançamento: 2003
Sinopse: Bob Harris (Bill Murray) é uma estrela de cinema, que está em Tóquio para fazer um comercial de uísque. Charlotte (Scarlett Johansson), por sua vez, está na cidade acompanhando seu marido, um fotógrafo workaholic (Giovanni Ribisi) que a deixa sozinha o tempo todo. Sofrendo com o horário, Bob e Charlotte não conseguem dormir. Eles se encontram, por acaso, no bar de um hotel de luxo, e em pouco tempo tornam-se grandes amigos. Resolvem então partir pela cidade juntos. A eles junta-se uma jovem atriz chamada Kelly (Anna Faris), com quem vão viver algumas aventuras pela cidade de Tóquio.

Poemas (W. H. Auden)

segunda-feira, março 14, 2011

Realidade

Há algum tempo os cientistas imaginavam que teriam respostas para todas as perguntas. Não haveria mais incógnitas e mistérios. Hoje, sabemos que muitos detalhes sobre o mundo, o universo e os seres humanos não podem ser devidamente explicados pelo empirismo e o método científico, o “paradigma da realidade atual”.
A realidade é definida apenas por aquilo que podemos analisar racionalmente, pesar, observar, e medir em um laboratório? Ou existe mais que isso? Existe uma realidade maior e nem sempre acessível a razão humana? Uma pessoa racional pode acreditar em Deus e, automaticamente, em uma realidade que transcenda a razão humana?
            O físico Neils Bohr, pai da mecânica quântica, disse que a sua própria cosmovisão expandiu, quando ainda criança, contemplava um peixe nadando na lagoa da fazenda de sua família. Ele ficou olhando o peixe a nadar por horas a fio e, um dia, percebeu que o peixe não sabia que estava sendo observado. Os peixes desconhecem o que se passa fora da lagoa, ou seja, desconhece qualquer outra realidade que não seja a lagoa. Bohr começou a se perguntar se os seres humanos não seriam como os peixes, vivendo em um universo expansivo, com múltiplas dimensões da realidade, mas apenas conscientes dos seus limitados quadros de referências. ©

Dogville

Título original: Dogville
Direção: Lars Von Trier
Gênero: Drama
Tempo de duração: 171 minutos
Ano de lançamento: 2003
Sinopse: Em plena década de 30, Grace (Nicole Kidman) é uma fugitiva que chega à isolada cidade de Dogville após fugir de gângsters. Encorajada por Tom (Paul Bettany), o porta-voz da cidade, Grace faz com a população local um acordo informal: eles a ajudam a se esconder e, em troca, ela trabalha para eles. Entretanto, quando a busca por Grace se intensifica a população local começa a querer um acordo melhor junto a Grace, devido ao risco que todos eles estão correndo por escondê-la. É quando Grace percebe que a aparente boa vontade de Dogville tem um preço.

Rumo ao Farol (Virginia Woolf)

segunda-feira, março 07, 2011

Milagre

Dizem que um grupo de jovens perguntou a um ancião: Será que Deus faz milagres? O ancião respondeu: Depende do que vocês entendem por milagre. Algumas pessoas dizem que um milagre é quando Deus faz a vontade do povo. Nós dizemos que um milagre é quando as pessoas fazem a vontade de Deus. ©

Dançando no Escuro

Título original: Dancer In The Dark
Direção: Lars Von Trier
Gênero: Drama/Musical
Tempo de duração: 140 minutos
Ano de lançamento: 2000
Sinopse: Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, Dançando no Escuro é uma das obras-primas do polêmico cineasta Lars Von Trier (Dogville). A cantora Björk está impressionante como Selma, uma imigrante que trabalha numa fábrica no interior dos Estados Unidos. Vítima de uma doença hereditária, ela está perdendo a visão e, para evitar que o filho tenha o mesmo destino, economiza todo o seu dinheiro para operá-lo. Apaixonada pelos musicais de Hollywood, Selma mistura realidade e fantasia. Porém, a sua vida muda radicalmente quando é acusada injustamente de um crime.

Poesia de Anna Akhmatova