sábado, maio 07, 2011

Na Cidade de Sylvia

Título original: En la Ciudad de Sylvia
Direção: José Luis Guerín
Gênero: Drama
Tempo de duração: 82 minutos
Ano de lançamento: 2007
Sinopse: Um rapaz viaja à cidade francesa de Estrasburgo em busca de Sylvia, mulher que conheceu anos antes e por quem se apaixonou. Sentado na mesa ao ar livre de um café, ele observa pacientemente todas as mulheres que passam na esperança de encontrar aquela que ama. Munido de um caderno e um lápis, ele rabisca os rostos e silhuetas das belas e sensuais moças que vê. Quando finalmente acredita ter encontrado Sylvia, ele percorre incansavelmente as ruas da cidade atrás dela.

Grandes Esperanças (Charles Dickens)

quinta-feira, abril 28, 2011

Exposição

             O que importa não é apenas saber se Deus existe, se além do brilho das estrelas existe uma inteligência cósmica que mantém o universo, mas saber se existe um Deus envolvido em nosso dia a dia, um Deus que envia mensagens tentando superar a nossa cegueira à medida que se move mergulhando até os joelhos no esterco miserável da existência humana e na maravilha do mundo.
Talvez a prova não seja tão espetacular quanto Filipe queria quando pediu a Jesus: “Mostra-nos o Pai”, e este respondeu “Tenho estado todo este tempo convosco e não me conheces?”.
O mundo moderno já o ilustrou como um hippie, de barba parecida a de Jim Morrison nos dias finais do LSD, zanzando por Israel, inalando perfumes da flora local, enquanto expressa em frases zen, dignas de serem repetidas nos exercícios de ioga, meditada ao som de CDs com sonares de baleias.
Prefiro o Jesus das Escrituras. Não creio em um Messias no qual não posso confiar, e em quem não reconheço sinais de glória.
Prefiro o Salvador que tenha coragem de empunhar o chicote contra os mercadores da fé, que se intromete na relação pessoal e íntima de cada um de nós com Deus (Jo. 17:3 e I Tm. 2:5), isto após acariciar crianças com efusivos abraços, incitando-nos à humildade pueril, e dias mais tarde, ser cuspido, dilacerado, sangrando até a morte na cruz do calvário, para ressuscitar ao terceiro dia, vencendo o mundo, que veio salvar.
            É este Deus imerso em nossa biologia, este Deus encarnado na criação que nós conhecemos em Jesus Cristo. Através da vergonha e ignomínia da cruz, o Deus invisível se fez visível, o Redentor oculto é revelado. A profunda natureza de Deus como aquele que sofre é conhecida através dos olhos da fé. A cruz é a escandalosa exposição do Deus oculto. ©

Magnólia

Título original: Magnolia
Direção: Paul Thomas Anderson
Gênero: Drama
Tempo de duração: 178 minutos
Ano de lançamento: 1999
Sinopse: Big Earl Partridge (Jason Robards) é um produtor de TV à beira da morte que deseja reencontrar o filho. Phill (Phillip Seymour Hoffman) é seu dedicado enfermeiro e Linda (Juliane Moore), sua jovem esposa. Frank (Tom Cruise), é um célebre guru machista, é o filho que Big Earl procura. Jimmy Gator (Philip Baker Hall) é o apresentador do famoso programa de TV que também está com câncer e procurando se entender com a filha Cláudia, cocainomaníaca. Stanley é um garoto-prodígio manipulado pelo pai oportunista. O ponto comum entre essa gente? Todos vivem num bairro de Los Angeles cortado por uma rua chamada Magnólia. Mas, antes que este círculo de personagens se feche, o espectador ainda terá muitas surpresas...

Moby Dick (Herman Melville)

quinta-feira, abril 21, 2011

Leon Morin, O Padre

Título original: Léon Morin, prêtre
Direção: Jean-Pierre Melville
Gênero: Drama/Romance
Tempo de duração: 115 minutos
Ano de lançamento: 1961
Sinopse: Uma obra do cineasta francês Jean Pierre Melville. Em Leon Morin, ele conta a história de uma viúva (Emmanuelle Riva) que vive com a sua pequena filha France e que é militante do partido comunista. Quando os alemães chegam ela envia France à fazenda e decide dirigir-se à paróquia e confrontar um padre (Jean-Paul Belmondo) com a idéia da inexistência de Deus. Contudo, a reação do padre não era aquela que ela imaginava. Melville usa um assombroso preto-e-branco para filmar uma história de amor que acontece entre as ruínas da França ocupada pelas forças da Alemanha e Itália.

O Morro dos Ventos Uivantes


quinta-feira, abril 14, 2011

Perguntas

Deus não é objeto de investigação científica nem algo que possamos introduzir no tesouro de nosso conhecimento – como um selo raro em um lugar especial da nossa coleção. Deus não é uma hipótese derivada de hipóteses lógicas. Para os racionalistas, Ele é uma coisa que buscam nas trevas com a luz de sua razão. Para o cristão, Ele é a própria luz.
            Deus não está no mundo, como um estrangeiro visitando um lugar. O mundo está em Deus.
            Os planetas, as montanhas, os elementos são objetos do conhecimento. Deus não é um objeto do conhecimento. Sem Deus não haveria absolutamente nada em tudo, sem Deus não há conhecimento. O conhecimento só é possível porque Deus é.
            Deus existe? A pergunta só é possível porque Deus está escondido atrás dela. Se você perguntar sobre Deus, não com mera curiosidade, mas como um investigador ansioso, aflito, angustiado pela possibilidade de que Deus possa não existir e que toda a vida seja vaidade e loucura, se você prestar atenção nas frestas da eternidade, a resposta pode bailar à sua frente. O seu próprio coração distingue entre o sentido e o absurdo. Para o teólogo Emil Brunner, sem Deus o mal não é mal e o bom não é bom. No ato de perguntar sobre Deus, Deus já está atrás de você tornando a sua pergunta possível.
            Crer em Deus não é um ato de credulidade ingênua. Credulidade ingênua ou desarrazoada é ter a opinião que o olho humano, a estrutura de um inseto, ou a glória de um prado em flor é apenas um produto da possibilidade.
            A insanidade “científica” penetrou no mundo confundindo os nossos sentidos. Se não há Deus a consciência é apenas um complexo de hábitos residuais e não significa nada. O santo e o criminoso são apenas fantasmas da imaginação.
            Mas há uma ordem divina que perpassa a criação, levando o homem a se curvar. O mundo, com milhões de dedos aponta para Deus. ©

Despedida em Las Vegas

Título original: Leaving Las Vegas
Direção: Mike Figgis
Gênero: Drama
Tempo de duração: 112 minutos
Ano de lançamento: 1995
Sinopse: Em Los Angeles, Ben Sanderson (Nicolas Cage) é um alcoólatra que, após ter sido demitido da produção de um filme, decide dirigir até Las Vegas, onde planeja beber até morrer. Lá conhece Sera (Elisabeth Shue), uma prostituta que também morou em Los Angeles, por quem se apaixona. Ele acaba indo morar na casa dela, sendo que ela respeita o fato dele ser alcoólatra e ele respeita seu modo de ganhar a vida. No entanto, a deterioração dele entrou em um processo irreversível.

Pais e Filhos (Turgueniev)

quinta-feira, abril 07, 2011

Na Cruz

Na cruz, o amor supera o mal. Deus tem um tempo determinado para julgar um mundo que está repleto com todos os tipos de abominação – Ele não subestima a intolerabilidade do mal. Deus não é um cúmplice do mal, utilizando-o como seu instrumento. O mal é ambíguo, instável. É uma doença dinâmica, uma existência parasitária e destruidora.
            O mistério impenetrável do mal enfrenta o mistério paradoxal da cruz. A cruz é a vitória do amor sobre o mal. A cruz é a incorporação do mal ao plano de redenção divina. Isso pode soar como algo perturbador, à beira da blasfêmia. A reação de Deus ao problema do mal, é a absorção em si mesmo. O mal não é engolido pelo amor, em um tipo de absorção química e dissolução.
Na cruz revela-se o surgimento do reino de Deus, não pelo poder das armas ou da força, mas pelo Espírito de sacrifício. A cruz destrona o reino do mal. A sabedoria do caminho da cruz é que ele ataca o mal utilizando a ambigüidade de sua natureza original, e seu estado ilegítimo. O mal é desarmado no sacrifício do próprio Deus. A manobra é algo sem precedentes. Ele aprisiona o enganador em seu próprio ardil. Ao assumir as conseqüências do pecado humano, ele nos liberta. Aqui reside o mistério da vitória.
            Na cruz, o mal é vencido pelo amor cumprindo a justiça. É o amor revelado na sua maior intensidade. ©

Fitzcarraldo

Título original: Fitzcarraldo
Direção: Werner Herzog
Gênero: Drama/Aventura
Tempo de duração: 156 minutos
Ano de lançamento: 1982
Sinopse: No final do século XIX, no apogeu do ciclo da borracha, o aventureiro Brian Sweeney Fitzgerald sonha em construir um teatro de ópera na Amazônia peruana. Para realizar seu sonho, não mede quaisquer esforços, enquanto se embrenha na mata com um barco à vapor de 160 toneladas (que irá tentar arrastar ao topo de um morro no meio da selva). Com este projeto, Herzog ganhou o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes.

Nu Perdido e Outros Poemas (René Char)

segunda-feira, março 28, 2011

Fidelidade

Eu jamais fui ateu. As minhas concepções sobre Deus mudaram durante os anos. Com a igreja tive um relacionamento de amor e raiva, mas nunca deixei de crer. Nunca joguei as minhas fichas na inexistência de Deus. As dúvidas sempre caminharam lado a lado com a fé. Há momentos em que tudo é nítido, e outros – a grande maioria – em que preciso me agarrar com todas as forças ao menor vestígio da fé. Fé vem de “fides”, fidelidade; fidelidade àqueles momentos. Não é difícil esquecer Deus; as coisas não acontecem como queremos e temos uma séria tendência a prestarmos atenção nas coisas palpáveis, e o mundo invisível pode tragicamente passar despercebido. ©

Kolya - Uma História de Amor

Título original: Kolya
Direção: Jan Sverak
Gênero: Drama
Tempo de duração: 101 minutos
Ano de lançamento: 1996
Tamanho: 698 mb
Sinopse: Na República Tcheca durante o período de ocupação soviética, por motivos políticos um violinista é impedido de trabalhar. Certo dia conhece uma jovem russa que precisa de marido tcheco para regularizar sua situação. Por dinheiro, decide ajudar, mas a polícia desconfia e ele, de início, quer se ver livre da criança. A mulher foge e lhe deixa o filho Kolya. Apesar de solteirão convicto, a relação dos dois aos poucos se estreita e... Oscar de melhor filme estrangeiro".

Ortodoxia (G. K. Chesterton)


segunda-feira, março 21, 2011

A Lista

No filme “Manhattan”, dirigido e interpretado por Woody Allen, o personagem filosofa sobre o sentido da vida: “O que faz valer a pena viver a vida?”. Em seguida acrescenta: “As maçãs e as peras de Cézanne. Um solo de Louis Armstrong. Um filme sueco”.
            Também tenho a minha lista: a felicidade estampada no rosto da minha família, os filmes, os livros, os quadros, as músicas, os alimentos e a natureza. ©

Encontros e Desencontros

Título original: Lost in Translation
Direção: Sofia Coppola
Gênero: Drama
Tempo de duração: 105 minutos
Ano de lançamento: 2003
Sinopse: Bob Harris (Bill Murray) é uma estrela de cinema, que está em Tóquio para fazer um comercial de uísque. Charlotte (Scarlett Johansson), por sua vez, está na cidade acompanhando seu marido, um fotógrafo workaholic (Giovanni Ribisi) que a deixa sozinha o tempo todo. Sofrendo com o horário, Bob e Charlotte não conseguem dormir. Eles se encontram, por acaso, no bar de um hotel de luxo, e em pouco tempo tornam-se grandes amigos. Resolvem então partir pela cidade juntos. A eles junta-se uma jovem atriz chamada Kelly (Anna Faris), com quem vão viver algumas aventuras pela cidade de Tóquio.

Poemas (W. H. Auden)

segunda-feira, março 14, 2011

Realidade

Há algum tempo os cientistas imaginavam que teriam respostas para todas as perguntas. Não haveria mais incógnitas e mistérios. Hoje, sabemos que muitos detalhes sobre o mundo, o universo e os seres humanos não podem ser devidamente explicados pelo empirismo e o método científico, o “paradigma da realidade atual”.
A realidade é definida apenas por aquilo que podemos analisar racionalmente, pesar, observar, e medir em um laboratório? Ou existe mais que isso? Existe uma realidade maior e nem sempre acessível a razão humana? Uma pessoa racional pode acreditar em Deus e, automaticamente, em uma realidade que transcenda a razão humana?
            O físico Neils Bohr, pai da mecânica quântica, disse que a sua própria cosmovisão expandiu, quando ainda criança, contemplava um peixe nadando na lagoa da fazenda de sua família. Ele ficou olhando o peixe a nadar por horas a fio e, um dia, percebeu que o peixe não sabia que estava sendo observado. Os peixes desconhecem o que se passa fora da lagoa, ou seja, desconhece qualquer outra realidade que não seja a lagoa. Bohr começou a se perguntar se os seres humanos não seriam como os peixes, vivendo em um universo expansivo, com múltiplas dimensões da realidade, mas apenas conscientes dos seus limitados quadros de referências. ©

Dogville

Título original: Dogville
Direção: Lars Von Trier
Gênero: Drama
Tempo de duração: 171 minutos
Ano de lançamento: 2003
Sinopse: Em plena década de 30, Grace (Nicole Kidman) é uma fugitiva que chega à isolada cidade de Dogville após fugir de gângsters. Encorajada por Tom (Paul Bettany), o porta-voz da cidade, Grace faz com a população local um acordo informal: eles a ajudam a se esconder e, em troca, ela trabalha para eles. Entretanto, quando a busca por Grace se intensifica a população local começa a querer um acordo melhor junto a Grace, devido ao risco que todos eles estão correndo por escondê-la. É quando Grace percebe que a aparente boa vontade de Dogville tem um preço.

Rumo ao Farol (Virginia Woolf)

segunda-feira, março 07, 2011

Milagre

Dizem que um grupo de jovens perguntou a um ancião: Será que Deus faz milagres? O ancião respondeu: Depende do que vocês entendem por milagre. Algumas pessoas dizem que um milagre é quando Deus faz a vontade do povo. Nós dizemos que um milagre é quando as pessoas fazem a vontade de Deus. ©

Dançando no Escuro

Título original: Dancer In The Dark
Direção: Lars Von Trier
Gênero: Drama/Musical
Tempo de duração: 140 minutos
Ano de lançamento: 2000
Sinopse: Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, Dançando no Escuro é uma das obras-primas do polêmico cineasta Lars Von Trier (Dogville). A cantora Björk está impressionante como Selma, uma imigrante que trabalha numa fábrica no interior dos Estados Unidos. Vítima de uma doença hereditária, ela está perdendo a visão e, para evitar que o filho tenha o mesmo destino, economiza todo o seu dinheiro para operá-lo. Apaixonada pelos musicais de Hollywood, Selma mistura realidade e fantasia. Porém, a sua vida muda radicalmente quando é acusada injustamente de um crime.

Poesia de Anna Akhmatova

domingo, fevereiro 27, 2011

Fragilidade

Há poucos dias um pardal doente me visitou. Tratei-o, improvisando um ninho e tentando alimentá-lo. Alguns dias depois lá estava a avezinha com os olhos cerrados e os pés juntos, como se quisessem despedir-se depois de infinitos pousos em lugares tão diferentes e distantes. O espírito do pequenino pardal já não estava mais onde o corpo jazia em repouso. Possivelmente tinha voado rapidamente para outros lugares, uma outra realidade, aproveitando a forte ventania que lamentava o seu canto indiferente.
            Eu pensei inevitavelmente, na minha morte e como seria o céu dos pardais. Eu pensei se seria assim numa terça-feira cinzenta, úmida e quente e diante de um caminhante distraído. Eu pensei se seria possível chamar a atenção do mundo para a sua fragilidade inquebrantável. ©

Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas

Título original: Big Fish
Direção: Tim Burton
Gênero: Comédia/Drama
Tempo de duração: 125 minutos
Ano de lançamento: 2003
Sinopse: Ed Bloom (Albert Finney) é um grande contador de histórias. Quando jovem Ed saiu de sua pequena cidade-natal, no Alabama, para realizar uma volta ao mundo. A diversão predileta de Ed, já velho, é contar sobre as aventuras que viveu neste período, mesclando realidade com fantasia. As histórias fascinam todos que as ouvem, com exceção de Will (Billy Crudup), filho de Ed. Até que Sandra (Jessica Lange), mãe de Will, tenta aproximar pai e filho, o que faz com que Ed enfim tenha que separar a ficção da realidade de suas histórias.

Os Intelectuais (Paul Johnson)

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Observar

Uma garoa desce sobre a cidade. Um homem está debaixo da árvore em frente a minha casa. Não sei se está usando a árvore como um guarda-chuva ou se está esperando alguém. Ele assobia e me faz lembrar a canção “Lovely chef” do Alison Goldfrapp. Um assobio melancólico acompanha o início da música, levando os pensamentos à borda do mundo.
Talvez seja fruto da timidez, o gosto por observar as outras pessoas. Algumas vezes elas parecem sonâmbulas, embrulhadas num universo singular, entre os sons e o fluxo.
            A garoa me faz lembrar um vôo entre São Paulo e Cuiabá. O aeroporto está lotado, pessoas e ruídos frenéticos se misturam. Lá fora uma garoa molha a pista. Atrasos e cancelamentos de vôo são comunicados. Dentro do avião um nó no estômago parece encontrar eco em todo o corpo. A aeromoça mostra os habituais lembretes para procedimentos de emergência. A grande nave abre caminho para a posição de decolagem, os jatos estridentes aceleram. A íngreme subida é áspera, nuvens parecem ser rasgadas ao meio. Aos poucos o avião está nivelado, olhando para baixo, as nuvens parecem pastagens com ranhuras. Dentro de alguns minutos a turbulência será esquecida e a placidez de um solo branco a se perder de vista, atrai a atenção.
            Quem sabe o último momento seja assim. O temor desaparece em questão de momentos, então se desvenda a escondida paisagem da paz. ©

Bagda Café

Título original: Out of Rosenheim / Bagdad Cafe
Direção: Percy Adlon
Gênero: Comédia/Drama
Tempo de duração: 91 minutos
Ano de lançamento: 1987
Sinopse: Depois de brigar com seu marido e abandoná-lo na estrada, a turista alemã Jasmin (Marianne Sägebrecht) caminha pelo deserto do Arizona até chegar ao posto-motel Bagdad Café. Recebida com aspereza por Brenda (CCH Pounder), a dona do local que acabou de colocar o marido para fora de casa, Jasmin aos poucos se acostuma e vai conquistando a simpatia dos clientes e hóspedes do motel, como Rudy Cox (Jack Palance), ex-ator de Hollywood e pintor em crise. Com o tempo, apesar das diferentes personalidades, Jasmin e Brenda tornam-se boas amigas e transformam o Bagdá Café num lugar mágico, onde cada um pode ser feliz à sua maneira. Foi indicado ao oscar por melhor canção original pela música "Calling You". Ganhou 12 prêmios, e 2 indicações em outros festivais.

Os Irmãos Karamazov (Dostoiévski)


segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Silêncio

Os homens têm fugido do silêncio. As palavras escondem o que somos. Não queremos revelar, nem a nós mesmos, algumas coisas. Por isso nos escondemos atrás de conversas fiadas. Tentamos fugir da nudez.
            Mas, é no silêncio que tenho encontrado algo maior do que este eterno burburinho. Enfrentar o silêncio pode ser embaraçoso quando fugimos de nós mesmos. Mas pode ser abençoado quando, sem nenhum medo, oramos clamando a presença dAquele que conhece todas as coisas. Uma espécie de doçura pode nos invadir, e a sensação de sujeira, que tentamos varrer para debaixo do tapete, desaparece. ©

Asas do Desejo

Título original: Der Himmel über Berlin / Wings of Desire
Direção: Wim Wenders
Gênero: Drama
Tempo de duração: 128 minutos
Ano de lançamento: 1987
Sinopse: Na Berlim pós-guerra, dois anjos perabulam pela cidade. Invisíveis aos mortais, eles lêem seus pensamentos e tentam confortar a solidão e a depressão das almas que encontram. Entretanto, um dos anjos, ao se apaixonar por uma trapezista, deseja se tornar um humano para experimentar as alegrias de cada dia.

Pensamentos (Blaise Pascal)

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Sensação

Muitas vezes as pessoas perguntam: “Como você pode ouvir a tua vida?” Como adquirir o hábito de fazer isso? Como manter os olhos e ouvidos prontos a detectar a presença de Deus ou a presença de algo mais? Aprendi que devo prestar atenção nos arrepios e nas lágrimas que vem aos olhos. Não podemos controlá-los, são inesperadamente desencadeados. Creio que, nestes momentos, sob a superfície das coisas, alguém está tentando falar com você ou sobre quem você é.
            Uma paisagem, uma música, um filme, um livro, um poema, uma pintura, um animal, uma árvore ou uma face que jamais viu pode desencadear aquilo que chamo de sensação de eternidade. Uma palmeira balançando ao vento ou um velho sapato abandonado pode chamar a atenção. É uma sensação particular, individual.
            Talvez a sensação seja o reflexo de uma delirante lembrança do Éden. Esta maravilhosa dança de seres humanos e animais, alegria e liberdade. Este grande reino pacífico, este grande jardim por onde Deus passeava ao cair da tarde. Um pequeno vislumbre de uma paisagem fechada. ©

Antes do Por-do-Sol

Título original: Before Sunset
Direção: Richard Linklater
Gênero: Romance
Tempo de duração: 80 minutos
Ano de lançamento: 2004
Sinopse: Dois jovens se encontram em Paris nove anos depois de passarem uma noite apaixonados pelas ruas de Viena. Muitas coisas aconteceram em suas vidas durante esse tempo, mas a pronta lembrança e as excelentes sensações que o novo encontro traz talvez provem que a paixão daquela noite foi mais importante do que eles julgavam.

O Senhor das Moscas (William Golding)

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Película

Precisamos consentir que luzes lampejem em nós, permitindo ver – mesmo que por breves clarões na vida como numa escura sala de projeções, sacrificando nossas consolações vazias, nossas paixões condenadas a cinzas, nossa avidez pelo efêmero – Aquele que prefere ocultar-se e que, em seu pudor, é a Fonte permanente do nosso mais intenso fascínio.
            Como o apóstolo Paulo, precisamos ser cegados. Mas uma cegueira que nos liberte da escuridão que nos rodeia e nos conceda olhos capazes de ver através dessa fina película transparente situada entre o homem e Deus. ©

Antes do Amanhecer

Título original: Before Sunrise
Direção: Richard Linklater
Gênero: Romance
Tempo de duração: 105 minutos
Ano de lançamento: 1995
Sinopse: Jesse (Ethan Hawke), um jovem americano, e Celine (Julie Delpy), uma estudante francesa, se encontram casualmente no trem para Viena e logo começam a conversar. Ele a convence a desembarcar em Viena e gradativamente vão se envolvendo em uma paixão crescente. Mas existe uma verdade inevitável: no dia seguinte ela irá para Paris e ele voltará ao Estados Unidos. Com isso, resta aos dois apaixonados aproveitar o máximo o pouco tempo que lhes resta.

O Velho e o Mar (Ernest Hemingway)


sexta-feira, janeiro 21, 2011

A Lente

A arte nos leva a considerar a vida através da lente da história. A Bíblia é uma história. A Bíblia é a história do projeto redentor de Deus. Nós fazemos parte dessa história. A poetisa Denise Levertov dizia que a língua poética da história não é “uma examinação do que acontece, mas uma imersão no que acontece”. A Bíblia não é um manual de procedimentos ou uma coleção de lições morais, mas uma história que ainda se desenrola.
            A arte nos leva a considerar a complexidade do mundo, experimentar as nuances da vida e compreender que o mundo não é preto ou branco. Ao ler “O Grande Gatsby” aprendo quem Gatsby é, e desenvolvo uma simpatia que esfacela os julgamentos arrebatadores que emito quando vejo uma pessoa em apenas uma dimensão. A arte me leva a ver as pessoas com olhos mais benevolentes.
            A arte desenvolve a imaginação. A beleza dos relacionamentos, da criação e de muitos aspectos ordinários da vida podem facilmente ser negligenciados se não treinarmos os nossos olhos para ir além da primeira camada. ©

Além da Linha Vermelha

Título original: The Thin Red Line
Direção: Terrence Malick
Gênero: Drama/Guerra
Tempo de duração: 170 minutos
Ano de lançamento: 1998
Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, fica claro que o resultado da batalha de Guadalcanal influenciará fortemente o avanço japonês no Pacífico. Assim, um grupo de jovens soldados é enviado para lá, trazendo alívio para as esgotadas unidades da marinha. Lá os recém-chegados conhecem um terror que nem imaginavam, mas no meio deste desespero surgem fortes laços de amor e amizade.

Poesia (T. S. Eliot)


quarta-feira, janeiro 19, 2011

Eternamente Jovem

Eu era uma criança morando em uma pequena cidade do interior. Acostumado a ouvir no velho rádio Roberto Carlos, Wanderlei Cardoso, Jerry Adriani, Diana, Odair José, Secos & Molhados e outros artistas nacionais. Um dia ouvi a abertura de cordas de “Califórnia Dreaming” do The Mamas and The Papas. A harmonia voava nos ares, o doce anseio do poema lírico, o som da costa ocidental levou-me para longe das pequenas brigas com as outras crianças da escola.
Alguns anos depois, por volta dos 17 anos, em um salão de bar, de um velho jukebox uma canção saía e entrava em minhas veias com seus arranjos frescos, e as palavras que me pareciam poéticas, quebrando a solidão. Fui informado que era da banda Alphaville, “Forever Young”:

Vamos dançar com elegância
Vamos dançar por um instante
O paraíso pode esperar
Estamos apenas observando os céus.
Desejando o melhor
Mas esperando o pior
Você vai deixar cair a bomba ou não?

Nos deixe morrer jovens
Ou viver pra sempre...
A vida é uma viagem curta...

Eternamente jovem
Eu quero ser pra sempre jovem
Você realmente quer viver pra sempre?
Pra sempre e todo sempre
Eternamente jovem
Você realmente quer viver pra sempre
Eternamente jovem

Alguns são como a água
Outros como o fogo
Alguns são a melodia
Outros são o ritmo
Cedo ou tarde
Todos terão virado poeira
Porque não permanecem jovens?
É tão difícil ficar velho
Sem um propósito
Eu não quero ser sacrificado
Como um cavalo inútil
A juventude é como um diamante ao sol
E os diamantes são eternos

Tantas aventuras não aconteceram hoje
Tantas canções que esquecemos de tocar
Tantos sonhos aparecendo do nada
Nós os tornaremos realidade

Eternamente jovem
Eu quero ser pra sempre jovem
Você realmente quer viver pra sempre jovem?
Pra sempre e todo sempre
Eternamente jovem

Eu jamais esqueci o impacto desse som deslizando em mim e descobri como a arte pode, inesperadamente, entrar em nossas vidas, deixando uma marca inesquecível.
Tentando construir um acervo de vídeos das músicas que me marcaram, percorri o Youtube selecionando esses momentos mágicos. Ali estava o Alphaville com seu clip original, da década de 80. O vocalista Marian Gold, no frescor de sua juventude, e seus jovens companheiros de palco. Mas ali também estava alguns vídeos recentes, como a apresentação da banda em um festival de 2007. Eles cantavam “Eternamente jovem”, e confesso que as palavras me soavam como um melancólico desejo não atendido. O tempo passou, eles envelheceram. Tudo dentro do roteiro estabelecido. O jovem esbelto tornou-se um senhor rechonchudo. Mas a música permanece embriagantemente moderna.
O Alphaville foi o porta-voz do maior sonho humano: viver pra sempre. De preferência, jovem. As modernas clínicas de cirurgia estética, os spas e as academias de ginástica tentam deter, ou pelo menos, adiar, o inevitável envelhecimento do corpo. A ilusão de uma juventude eterna permeia a existência humana; continuamos a busca sem êxito da “fonte da juventude”.
Exercícios são elaborados, capas de revistas apresentam modelos com rosto sem rugas e corpos atraentes; fitas de vídeo, exercícios e cremes prometem rejuvenescimento, basta seguir a receita prescrita. Academias de ginástica e cirurgias plásticas tentam mascarar o envelhecimento.
“A juventude é como um diamante ao sol... E os diamantes são eternos... Eu quero ser pra sempre jovem”, cantava o cinqüentenário vocalista. Mas o corpo denunciava o desejo não realizado.
Aos cristãos foi prometido a vida eterna e um novo corpo. Seremos “revestidos da nossa habitação celeste” (II Cor. 5:1-8). O elemento mortal será “absorvido pela vida”. Qualquer que seja nossa aparência exterior, nossa intelectualidade e nossa natureza espiritual, no céu será a de um santo que é maduro e que tem as faculdades completas de um adulto, para que possa desfrutar tudo o que Cristo preparou para nós. Nossos velhos pais que, provavelmente, já perderam o vigor físico, estarão de posse de um corpo espiritual rejuvenescido, aptos para desfrutar de tudo aquilo que pode ser experimentado.
Os filósofos medievais acreditavam que teríamos, no céu, a idade de 33 anos, considerada a idade ideal, de maturidade, reflexos da duração da vida terrena de Jesus Cristo. Uma lenda chamada “A corrente purificadora” diz que “Aqueles que viveram até a idade adulta, serão trazidos de volta na idade de quarenta anos; aqueles que morreram crianças serão trazidos com a idade de quinze anos; todos viverão felizes com suas famílias e amigos”.
As imagens, os sons e as palavras são tatuados em nosso interior. Nós temos uma arca de tesouros que nos acompanha na jornada. De vez em quando preciso ouvir uma suave melodia, ver uma determinada cena de um filme, reler um trecho marcante de um livro ou apreciar um quadro que fala comigo.
O poeta Tennyson dizia que nem o mundo natural e nem a religião tinham a palavra final sobre a vida e sobre Deus – devemos escutar ambos a fim de compreender: um poeta viajando pela mudança das estações ou o verso de um hino apontam para o alvo maior.
Não consigo compreender as pessoas que não se encantam com a natureza, os livros, as músicas, os filmes e as pinturas. Encontro beleza e conforto na arte e na natureza, e direção na Bíblia. E assim prossigo a minha dança, exultante, balançando o meu corpo rechonchudo ao som de “Eternamente Jovem”, enquanto meu pé direito diz “Aleluia” e o meu pé esquerdo “Amém”.

(Trecho extraído do livro "Relíquias de Uma Terra Estranha" de Samuel Rezende)

sexta-feira, janeiro 14, 2011

A Abertura

Azar Nafisi é uma escritora iraniana, que foi professora de língua inglesa na Universidade de Teerã e escreveu o Best-seller “Lendo Lolita em Teerã”, O livro conta a história de sete mulheres, estudantes de literatura que se reúnem escondidas para ler livros proibidos: literatura clássica. Na introdução do livro, Nafisi escreve: “O que estamos procurando na literatura de ficção não é a realidade, mas uma revelação da verdade”.
            Para mim a frase de Nafisi se estende a todas as manifestações artísticas. Procuro a abertura, a fresta no muro que possibilite visualizar a luz do sagrado naquilo que a igreja considera profano. ©

A Lenda do Pianista do Mar

Título Original: La leggenda del pianista sull’oceano
Direção: Giuseppe Tornatore
Gênero: Drama/Musical
Tempo de Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento: 1998
Sinopse: Um garoto nasce em pleno alto-mar, ganhando o nome do ano em que nasceu: 1900. A criança cresce num mundo encantado de fortes ventos tempestuosos e cobertas balançando, conhecendo toda a existência disponível a seu toque nos confins do transatlântico em que nasceu. Já crescido, seu talento natural no piano chama a atenção da lenda do jazz Jelly Roll Morton, que sobe a bordo para desafiar 1900 para um duelo. Indiferente com sua súbita notoriedade, 1900 mantém uma fixação pelo mar, sendo sempre seduzido pelos sons do oceano.

O Bode Expiatório (René Girard)



sexta-feira, janeiro 07, 2011

Portador

             Nós, freqüentemente, lamentamos o fato de que não compreendemos Deus. Não entendemos porque não responde uma oração. Falamos sobre o seu movimento no mundo, mas não concordamos com a forma que conduz a nossa história.
As coisas acontecem, aparentemente sem nenhuma razão, e o cérebro tenta fazer a ligação entre o acontecimento e Deus, mesmo que a situação pareça cruel. “Por quê? Por quê?”, nós gritamos. “Mostre-nos a sua glória”, clamamos como Moisés. E Deus desliza na névoa, deixando traços e indícios insuficientes para destruir as dúvidas.
            O mundo evangélico é dividido entre sagrado e profano, religioso e secular. Isso leva a dicotomia sobre a realidade. Ciências versus fé, estado versus igreja, entretenimento cristão versus entretenimento secular. Eu não consigo ver o mundo dessa maneira. Se o mundo pertence a Deus (Sl. 24:1), e se Deus é onipresente, como pode haver tempo, lugar ou maneira de pensar que esteja ausente da sua presença? Este mundo é uma mistura inextricavelmente interligada do bem com o mal. Às vezes o profano não é antítese do sagrado, mas portador do mesmo. ©

A Fraternidade é Vermelha

Título original: Trois couleurs: Rouge / Three Colors: Red
Direção: Krzysztof Kieslowski
Gênero: Drama
Tempo de duração: 100 minutos
Ano de lançamento: 1994
Sinopse: Fraternidade é Vermelha é a conclusão da monumental Trilogia das Cores, do mestre polonês Krzysztof Kieslowski; que tem como tema as cores e os lemas nacionais da França: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Valentine é uma jovem modelo que vive em Genebra. Certo dia, ela atropela uma cachorrinha e, preocupada, sai em busca de seu dono. Assim, conhece o homem que mudará a sua vida: um juiz aposentado que passa os dias espionando as conversas telefônicas de seus vizinhos. É o início de uma história de redenção, compaixão e perdão sobre a comunicação entre os homens.

O Amor nos Tempos do Cólera (Gabriel Garcia Márquez)